Irã adverte seis países europeus de que cortará envio de petróleo

Teerã ameaça retaliar embargo europeu que entra em vigor em julho suspendendo exportações agora e também anuncia avanços nucleares

iG São Paulo |

Sob pressão de sanções internacionais pelo seu programa nuclear, incluindo um embargo da União Europeia contra seu petróleo a partir de julho, o Irã advertiu nesta quarta-feira que pode agir primeiro cortando imediatamente as exportações do produto a seus seis maiores compradores europeus.

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De acordo com a agência semioficial Mehr, citada pela Associated Press, o Irã suspendeu as exportações para a França e a Holanda e deu um ultimato à Itália, Espanha, Portugal e Grécia – os quatro últimos gravemente afetados pela crise econômica mundial – para que assinem contratos de longo prazo com o país persa se não quiserem sofrer cortes no produto.

O jornal New York Times, no entanto, disse que os seis países apenas foram alertados de que podem sofrer cortes. Previamente, a estatal Press TV anunciou que as exportações seriam cortadas imediatamente para os seis países. A contradição nas informações não pôde ser resolvida imediatamente.

As autoridades iranianas dizem que um corte antecipado do país atingiria as nações europeias antes de que pudessem encontrar novos fornecedores, afirmando que o Irã já encontrou compradores para os 18% de seu petróleo que vai para a Europa.

A ameaça contra os seis países europeus foi feita no mesmo dia em que o país persa anunciou dois grandes avanços em seu programa nuclear, em desafio ao aumento das sanções ocidentais .

O governo anunciou que começou nesta quarta-feira a colocar barras de combustíveis produzidas pelo próprio país dentro de seu reator de pesquisa de Teerã e a usar novas centrífugas avançadas em Natanz, sua principal instalação de enriquecimento de urânio, no centro do país. "Se trata em particular da produção de barras de combustível nuclear a 20% e da quarta geração de centrífugas, mais rápidas, que ocupam menos espaço e são fabricadas com fibra de carbono", destacou a emissora estatal. "Todas as centrífugas foram fabricadas pelos engenheiros iranianos", segundo o canal.

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De acordo com a agência de notícias oficial Irna, o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, inseriu a primeira barra produzida no país dentro do reator no norte de Teerã, enquanto a TV estatal transmitiu imagens ao vivo da cerimônia em que especialistas nucleares passaram informações sobre o processo ao líder iraniano.

O Irã referiu-se aos processos como um passo adicional nos esforços do país em dominar o ciclo completo de combustível nuclear apesar das penalidades do Ocidente e das sanções da ONU.

O Irã afirmou ter sido obrigado a produzir suas próprias barras de combustível nuclear, que fornecem combustível para reatores, desde que sanções internacionais o impediram de comprá-las nos mercados externos. Em janeiro, o país anunciou que havia produzido a primeira delas.

Os avanços nucleares foram anunciados em meio a um aumento de tensão com o Israel e o Ocidente, que suspeitam que o programa atômico da República Islâmica tem fins militares e objetiva fabricar uma bomba nuclear. Teerã nega a acusação, afirmando ter apenas objetivos civis, como a produção de energia. O reator de Teerã, por exemplo, produz isótopos nucleares para o tratamento de pacientes com câncer.

Israel já alertou várias vezes sobre a possibilidade de atacar as instalações nucleares do Irã, e acusou a República Islâmica de estar por trás de ações terroristas contra seus diplomatas na Índia, Geórgia e outros lugares. Nesta quarta-feira, autoridades israelenses indicaram que um ataque contra o Estado estaria s endo preparado na Tailândia , onde um iraniano feriu as pernas na explosão de uma bomba.

*Com AP e AFP

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