Irã acusa Ocidente e prende irmã de Prêmio Nobel

TEERÃ - O ministro iraniano das Relações Exteriores, Manuchehr Mottaki, acusou nesta terça-feira a Grã-Bretanha de ingerência nos assuntos internos do país e convocou o embaixador britânico para protestar contra declarações do Ministério de Relações Exteriores britânico, informou a imprensa iraniana.

iG São Paulo |

Mottaki também criticou as declarações de repúdio de EUA e União Europeia contra a violenta repressão dos protestos da oposição no domingo em Teerã e em outras cidades do Irã, dizendo que eles "devem parar com as declarações arbitrárias". Segundo informações oficiais, os confrontos entre os manifestantes e as forças de segurança teriam deixado pelo menos oito mortos

Mottaki foi especialmente duro com as palavras do chanceler britânico, David Miliband, quem louvou "a grande coragem" dos opositores iranianos. "O Reino Unido receberá uma bofetada se não parar de declarar tolices infundadas", afirmou.

O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, anunciou que o Irã convocará o embaixador do Reino Unido em Teerã para lhe fazer "o protesto oficial da República Islâmica do Irã contra as ingerências nos assuntos internos do país", destacou a agência Fars.

AFP

Iraniano em protesto: choques foram os piores em seis meses

Iraniano em protesto: choques foram os piores em seis meses


No domingo, dia em que os xiitas celebravam a "ashura", a data mais importante dos muçulmanos xiitas, a oposição iraniana voltou às ruas e retomou os protestos iniciados em junho, quando denunciou como fraude a vitória do presidente Mahmoud Ahmadinejad para um segundo mandato. Os protestos de domingo, que também deixaram oficialmente 60 feridos e 300 presos, foram os mais graves em seis meses. Segundo o site oposicionista "Jaras", 900 teriam sido presos.

Desde o domingo, também foram presos pelo menos 18 importantes membros da oposição, incluindo três assessores seniores do líder oposicionista Mir Hossein Moussavi , seu cunhado e uma irmã da ganhadora iraniana do Prêmio Nobel da Paz Shirin Ebadi, informaram sites da oposição. Ebadi confirmou a prisão da irmã .

Nesta terça-feira Ahmadinejad qualificou de "farsa" os protestos e responsabilizou "os Estados Unidos e o regime sionista" pelas manifestações.

O Reino Unido ainda é criticado pelo papel desempenhado pela rede de televisão BBC em persa, que faz uma ampla cobertura dos acontecimentos no Irã.

Um cidadão britânico está entre os manifestantes detidos durante os violentos protestos de domingo em Teerã, segundo uma informação do site pró-governo "Rajanews".

O sobrinho do líder da oposição Mir Hossein Moussavi, candidato declarado derrotado nas eleições de junho, foi morto por "terroristas" num incidente sem relação com as manifestações de protesto de domingo, anunciou nesta terça-feira a polícia iraniana.

AP
Moussavi com seu sobrinho Seyyed Ali

Moussavi com seu sobrinho Seyyed Ali

"Seyyed Ali Moussavi, que não estava presente nos tumultos de rua, foi morto por arma de fogo numa rua adjacente, domingo, por volta do meio-dia, por pessoas que estavam num veículo", declarou a polícia em comunicado publicado pela imprensa iraniana.
A oposição, porém, alega que o sobrinho de Moussavi foi morto pelas forças de segurança do Irã durante os protestos.
Manifestações pró-governo
Dezenas de milhares de partidários do governo foram às ruas nesta terça-feira em várias partes do Irã para pedir que líderes oposicionistas sejam castigados por terem fomentado distúrbios após a eleição presidencial contestada de junho, informou a mídia estatal, segundo a qual as manifestações foram espontâneas.
A escala das manifestações pró-governo não pôde ser confirmada por fontes independentes por causa das restrições impostas à imprensa estrangeira desde junho.
O presidente do Parlamento, Ali Larijani, exortou o Judiciário a prender os responsáveis pela manifestação do domingo .
Quando a eleição presidencial de 12 de junho conduziu o presidente de linha dura Ahmadinejad de volta ao poder por ampla margem de votos, milhares de iranianos saíram às ruas nas maiores manifestações contra o governo nos 30 anos de história da República Islâmica.

Os protestos de rua não diminuíram desde a eleição, que, segundo as autoridades, foi a mais correta desde a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o xá. As autoridades rejeitam terminantemente as acusações de fraude eleitoral amplamente feitas por líderes da oposição.
Com informações da AFP, EFE e Reuters
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