Irã acusa Ocidente de apoiar protestos com fins políticos

Teerã, 5 jan (EFE).- O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, acusou hoje vários países do Ocidente de apoiar os protestos da oposição, a fim de conseguir objetivos políticos.

EFE |

"Acho que o erro que alguns países ocidentais cometem é que, em vez de ouvir a voz do povo, apoiam com fins políticos aquelas pessoas que provocam distúrbios e desordens. Com esta postura, só colocam em risco seus próprios interesses", disse.

Mehmanparast respondia, assim, a recentes declarações da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que criticou a repressão policial e defendeu a luta pelas liberdades no Irã.

"Acompanhamos de perto a postura de todos os países a respeito deste assunto. Depois, adotaremos a decisões que forem necessárias", advertiu o porta-voz, durante sua habitual entrevista coletiva semanal.

O porta-voz iraniano também reagiu de forma particular às palavras do ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, que ofereceu seu apoio ao movimento de oposição no Irã.

"É melhor que o ministro francês se dedique aos assuntos internos de seu país e se preocupe com os protestos em Paris, que estão sendo reprimidos pela Polícia", afirmou.

Tanto Hillary quanto Kouchner criticaram duramente a repressão dos protestos da oposição durante o dia sagrado da Ashura, nos quais pelo menos oito pessoas morreram, segundo números oficiais, entre elas o sobrinho de Mir Hussein Moussavi, um dos principais líderes opositores.

O Irã acusou os Estados Unidos e o Reino Unido de fomentar as mobilizações que ocorrem desde que, em junho do ano passado, centenas de milhares de pessoas foram às ruas do país para protestar contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, que a oposição considera fraudulenta.

Além disso, há a denúncia da detenção de vários estrangeiros em relação aos distúrbios da Ashura, os mais sangrentos nos últimos seis meses.

A este respeito, Mehmanparast ressaltou hoje que os cidadãos estrangeiros ou os iranianos com dupla nacionalidade detidos nos enfrentamentos da Ashura "serão libertados se não cometeram crimes, mas, caso contrário, serão tratados de acordo com a lei".

Além disso, voltou a acusar o Ocidente pelos problemas do Afeganistão, e insistiu em que seu país "não faz distinções entre talibã mau e talibã bom". EFE msh-jm/an

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