Irã acusa nações estrangeiras de interferir em questões regionais

Durante reunião sobre Afeganistão no Paquistão, Ahmadinejad diz que três nações devem fortalecer a cooperação e impedir intervenção

iG São Paulo |

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, acusado por países ocidentais de buscar produzir armas nucleares, disse no Paquistão nesta sexta-feira que nações estrangeiras estão determinadas a dominar a região e isso não deve ser permitido.

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AP
Presidente paquistanês, Asif Ali Zardari (centro), ao lado de Hamid Karzai, presidente do Afeganistão (esquerda) e Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã

"Há países determinados a dominar nossa região. Eles têm como alvo estabelecer seu domínio e hegemonia", disse o presidente iraniano em entrevista à imprensa em Islamabad, capital do Paquistão. "Nós temos de negar aos outros a oportunidade de interferir em nossos assuntos", disse Ahmadinejad, sem indicar a quais países se referia.

O líder afegão, Hamid Karzai, por outro lado, pediu por mais ações e menos palavras no encontro presidido por Asif Ali Zardari, enquanto Cabul busca trazer o Taleban para a mesa de negociações.

O Paquistão, aliado histórico do Taleban, foi mais uma vez forçado a desmentir que estivesse fazendo um jogo duplo em apoiar a milícia, cujos líderes são conhecidos por manter relações próximas com ao menos alguns elementos do Exército paquistanês.

No centro das discussões estava o confronto de dez anos no Afeganistão , onde os EUA lideram uma tropa estrangeira com 130 mil militares e onde todas as partes do conflito agora aceitam que negociações são a única solução. "Estamos aqui para fortalecer o caminho para solidificar a cooperação entre essas três nações. Agiremos em direção a uma solução... e devemos impedir que outros interfiram", disse Ahmadinejad.

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Israel acusou o Irã de atacar seus diplomatas em Geórgia, Índia e de explodir bombas na Tailândia nessa semana, diante da especulação de que o Estado judeu ou os Estados Unidos poderiam estar a alguns meses de realizar ofensivas militares contra o Irã.

A polícia da Tailândia informou nesta sexta-feira que está procurando um quinto suspeito iraniano ligado ao plano frustrado de atentado. Apenas quatro perguntas foram permitidas durante a coletiva de Ahmadinejad na sexta-feira, nenhum repórter ocidental recebeu permissão para falar e o assunto das bombas não foi mencionado.

O Paquistão disse que vai fazer tudo o que for solicitado por Cabul para apoiar um processo de pacificação no Afeganistão, mas há um índice elevado de ceticismo por parte do Afeganistão e dos Estados Unidos sobre sua sinceridade. "Precisamos agora formular uma política resoluta e implementável e que realmente aja sobre isso", declarou Karzai na coletiva.

As relações entre Cabul e Islamabad são tradicionalmente carregadas de desconfiança, mas ambos os lados fizeram movimentos para uma reconciliação, buscando facilitar uma solução política no Afeganistão para reduzir a instabilidade na região. "Nosso encontro de hoje entre os três países foi voltado para reconhecer no futuro oportunidades e perigos ao redor", esclareceu o líder afegão.

Conversas com Taleban

Karzai disse em uma entrevista ao Wall Street Journal nessa semana que contatos em segredo têm sido feitos entre os EUA, o Afeganistão e o Taleban. A milícia desmentiu qualquer negociação, enquanto a Casa Branca afirmou que estava participando de uma reconciliação com o Afeganistão.

Islamabad está se encaminhando para um relaxamento de suas relações com Washington, que deu uma guinada drástica após uma operação secreta americana no ano passado , que terminou com a morte de Osama Bin Laden , e nos ataques aéreos que mataram 24 soldados paquistaneses .

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"Eu nego essa ideia de que alguma de nossas Forças Armadas esteja direta ou indiretamente envolvida", disse Zardari em uma coletiva, quando perguntado sobre evidências apontando para um envolvimento de espiões paquistaneses e oficiais de alta patente no conflito. "Sim, eu não posso negar que haja resíduos no Paquistão da guerra contra a União Soviética (1979-1989)", referindo-se ao apoio dos mujahedines contra os soviéticos na ascensão da Al-Qaeda.

"Os três presidentes que você vê sentados juntos, nós iremos lutar contra essa ameaça. Ninguém está mais preocupado ou envolvido pessoalmente com isso do que eu", disse. Apesar das fortes objeções norte-americanas, o Paquistão afirmou que está avançando em um projeto bilionário para construir um gasoduto com o objetivo de importar combustível do Irã.

A chanceler paquistanesa alertou o Afeganistão nesta sexta-feira contra suas "expectativas ridículas" de que Islamabad pudesse ajudar nas negociações de paz com o Taleban. A ministra, Hina Rabbani Khar, disse que era "absurdo" pensar que o Paquistão poderia levar o chefe do Taleban Mullah Omar para a mesa de negociações como o Afeganistão teria pedido.

O Paquistão é visto como uma chave no processo de paz principalmente porque a liderança do Taleban, incluindo Omar, tem seu paradeiro no país, e o governo tem laços históricos com o grupo.

Islamabad sempre negou que os líderes estejam usando seu território e rejeitou as alegações que o governo paquistanês mantém ligações com o grupo, frustrando oficiais americanos e afegãos que dizem que o Paquistão não está agindo de forma agressiva contra os militantes.

Não está claro se o presidente afegão pediu ao Paquistão que o ajudasse a chegar em Omar durante sua visita a Islamabad, e ele não fez nenhuma menção pública ao clérigo. Mas ele pediu ao Paquistão no passado que facilitasse o contato com os líderes do grupo insurgente.

Com AP, AFP e Reuters

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