Irã acusa grupo de negociação de estabelecer condições impossíveis de cumprir

Genebra, 14 out (EFE).- O Irã afirmou hoje que continua nas negociações sobre seu programa nuclear e que foram seus interlocutores (os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha) que abandonaram o processo após fixarem condições que eram impossíveis de cumprir.

EFE |

O presidente da Assembléia Consultiva Islâmica (Parlamento iraniano), Ali Larijani, defendeu hoje o caminho diplomático para resolver as divergências com o Ocidente sobre a natureza de suas atividades nucleares, que Teerã nega ter fins bélicos.

Larijani, que foi chefe negociador iraniano para esta questão, afirmou que alguns responsáveis políticos preferiram "falar por muitos anos com a linguagem da força e a intimidação" ao invés de optar pela diplomacia.

As negociações entre o Governo iraniano e o grupo de negociação sobre a questão nuclear estão paralisadas, após representantes deste acusarem Teerã de ter rompido o diálogo com sua recusa a responder uma oferta apresentada em junho.

No meio desta situação, o Conselho de Segurança aprovou em setembro uma nova resolução condenando a atitude do Irã.

Larijani criticou o grupo de negociação de ter "abandonado precipitadamente a mesa (de negociações)" e aprovado posteriormente uma "resolução de conteúdo escandaloso".

Acusou particularmente Estados Unidos e Reino Unido de criarem "confusão e desconfiança" no seio do Conselho de Segurança da ONU.

"A idéia é que não importa o que Irã possa fazer, sempre haverá novas táticas de intimidação, mas isto não produz nenhum resultado", advertiu.

Larijani comentou que "provavelmente este grupo de países queria mostrar sua unidade e que tem uma só vez no meio da atual crise (financeira)".

No entanto, o presidente da Assembléia Consultiva Islâmica afirmou que a "porta da negociação está aberta. O processo não está morto", mas disse que as partes envolvidas devem se sentar para dialogarem ao invés vez de continuarem com a troca de mensagens.

Sobre as eleições nos EUA e a posição do candidato republicano à Casa Branca, John McCain, de rejeitar qualquer diálogo com Teerã e qualificá-lo de "perigo" para sua região, Larijani disse que se o senador pelo Arizona chegar à Presidência e atacar o Irã, isto "seria um grave erro".

"Eles sabem que não podem fazer muito militarmente. Isto não seria uma simples aventura militar, pois sabem que quando começam algo o final não está nas mãos deles", declarou.

Larijani, que está em Genebra para participar da 119ª Assembléia da União Interparlamentar (UIP), acusou os EUA de terem "criado a crise financeira" após ter garantido "durante duas décadas que era capaz de conduzir os assuntos do mundo".

Acrescentou que a crise se originou nas inadequadas políticas americanas, e agora "outros países têm que pagar por isto e por suas despesas militares e seu envio de forças para outras partes do mundo". EFE is/wr/fal

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