Irã acusa EUA ou Israel de envolvimento em morte de especialista nuclear

Teerã, 12 jan (EFE).- O Ministério de Assuntos Exteriores do Irã relacionou hoje Estados Unidos e Israel ao atentado com bomba que matou hoje, em Teerã, um professor universitário especialista em energia nuclear.

EFE |

É "um ato desumano cometido por agentes sionistas ou mercenários americanos", disse o porta-voz do ministério, Ramin Mehmanparast, segundo um boletim da televisão estatal iraniana.

"Condenamos um ação que atenta contra as leis internacionais", acrescentou.

Massoud Mohamadi, professor de Física na Universidade de Teerã e especialista em energia nuclear, morreu devido à explosão de uma bomba colocada em uma motocicleta junto a seu automóvel e acionada por controle remoto no bairro de Qeytariyeh, em Teerã.

Segundo a imprensa oficial, o docente pertencia a uma seção da milícia de voluntários islâmicos "Basij".

"Seu corpo foi levado ao escritório do legista. Foi aberta uma investigação para encontrar os culpados e conhecer os motivos", disse o procurador-geral de Teerã, Abbas Jaafari Dowlatabadi.

As televisões oficiais em persa e árabe descreveram o atentado como uma "ação terrorista" e culparam "grupos contrários à Revolução".

Segundo o boletim da televisão estatal, Massoud Mohammadi era um professor da Revolução, que morreu como mártir em um atentado cometido por elementos antirrevolucionários e agentes da opressão mundial.

A rede oficial em árabe "Alalam" foi mais precisa e, citando fontes "bem informadas", mas não identificadas, sugeriu que o ataque poderia ser obra do movimento de oposição no exílio Mujahedin-e Khalq, que o regime iraniano considera terrorista.

É o primeiro atentado destas características do qual se tem notícia em Teerã, desde que, em 13 de junho, explodiu a crise política e social que divide o país.

Naquela data, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas do país para protestar contra a reeleição do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, que a oposição considera fruto de uma "fraude maciça".

Desde então, as mobilizações aconteceram ao longo do país, apesar da ação repressiva das forças de segurança e do encarceramento de milhares de pessoas, muitas delas responsáveis da oposição.

A crise se agravou em 27 de dezembro, dia sagrado da Ashura, quando os protestos voltaram a cair na violência, com a morte de pelo menos oito pessoas, segundo números oficiais.

Além disso, nos dias seguintes, foram detidos mais de 100 ativistas da oposição, jornalistas e estudantes universitários.

O regime iraniano acusou países como Estados Unidos e Reino Unido de promover os distúrbios e afirma que, dos mesmos, participam membros do movimento opositor no exílio.

As universidades se transformaram nos últimos meses em um dos cenários da disputa política e social que divide o regime iraniano.

Além da suposta expulsão de docentes afins à oposição, estão os protestos dos estudantes e o boicote a aulas e provas em diversas cidades do país.

Grupos universitários ligados à oposição denunciaram que, no campus, foram introduzidos elementos das milícias islâmicas Basij, que foram chaves na repressão dos protestos que ocorrem no país há seis meses. EFE jm-msh/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG