O Irã acusou nesta terça-feira Israel e os Estados Unidos de envolvimento na explosão de uma bomba que matou nesta terça-feira um importante físico iraniano, de acordo com a imprensa do país. A TV iraniana afirmou que investigadores do governo encontraram indícios da atuação do serviço secreto israelense, o Mossad, na explosão.

"Investigações iniciais mostram sinais visíveis do regime sionista, dos Estados Unidos e de seus agentes neste ato terrorista", disse o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, segundo a TV estatal Irib.

O departamento de Estado americano refutou as acusações como "absurdas".

Controvérsia
O governo de Teeã afirma que Masoud Ali Mohammadi estava envolvido no programa nuclear iraniano e seria um "dedicado professor revolucionário", que teria sido assassinado por grupos "antirrevolucionários".

Mas o repórter da BBC especializado em assuntos iranianos Jon Leyne diz que, segundo acadêmicos, o campo de atuação de Mohammadi era a física quântica, não a física nuclear.

Existem também relatos díspares sobre seu posicionamento político. Alguns afirmam que ele não se envolvia em atividades políticas, mas outros dizem que o acadêmico apoiou o líder oposicionista Hossein Mousavi nas eleições presidenciais de junho passado.

"O que quer que tenha acontecido, a oposição certamente vai temer que este assassinato seja usado como justificativa para mais repressão", afirma Leyne.

O Irã vive momentos de tensão desde as polêmicas eleições do ano passado nas quais o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi reeleito sob acusações de fraude, o que levou a enormes passeatas contra o governo.

Explosão
A imprensa local disse que a bomba foi instalada em uma motocicleta estacionada em frente ao prédio em que o professor morava, no bairro de Qeytariyeh, no norte da capital.

A emissora TV Press levou ao ar imagens do local do atentado e afirmou que janelas de prédios próximos foram destruídas pelo impacto da explosão.

O programa nuclear do Irã é um dos assuntos mais polêmicos do Oriente Médio.

O governo iraniano afirma que ele tem objetivos pacíficos, mas os Estados Unidos e outras potências ocidentais suspeitam que por trás do programa estejam pesquisas sobre armas nucleares.

Em dezembro, o Irã acusou a Arábia Saudita de deter um cientista nuclear iraniano e entregá-lo aos americanos. No entanto, os sauditas refutam as acusações.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.