Irã aceita dialogar, mas sem renunciar a seus princípios

Javier Martín. Teerã, 10 fev (EFE).- IO Irã mostrou hoje ao novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, suas duas faces e afirmou que está disposto a dialogar, sempre for de igual para igual, mas que, em nenhum caso, renunciará a seus princípios.

EFE |

Diante de milhares de pessoas, reunidas no sul de Teerã para celebrar o 30º aniversário da Revolução Islâmica, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, voltou a sugerir que Washington deve dar o primeiro passo, com um gesto que mostre que sua vontade de mudar é sincera.

"A Administração americana anunciou que quer mudar e optar pelo caminho do diálogo. Essa mudança deve ser fundamental, e não só tática", reiterou o líder iraniano, em discurso pronunciado na famosa praça de Azadi (Liberdade).

"O povo iraniano recebe com beneplácito estas mudanças e está preparado para o diálogo, mas em um ambiente justo, lógico e de respeito mútuo", acrescentou.

O Irã e os Estados Unidos romperam seus laços diplomáticos em 1980, após a vitória da revolta popular contra o regime autoritário do último xá da Pérsia, o pró-ocidental Mohamad Reza Pahlevi.

No entanto, as raízes do conflito se remontam a 1953, data na qual um golpe de Estado planejado e executado pela CIA (agência de inteligência americana), e instigado pelo Reino Unido, derrubou o Governo democrático do primeiro-ministro nacionalista Mohamad Mossadegh e devolveu o poder absoluto ao xá.

Na segunda-feira, Barack Obama reiterou que sua Administração está pronta para estender a mão ao Irã, e expressou seu desejo de que, nos próximos meses, seja criada a atmosfera adequada para "sentar em uma mesma mesa, frente a frente".

Convencido de que a oferta americana é fruto da força do Irã, Ahmadinejad disse hoje que a Casa Branca deve dar o primeiro passo, retirando as tropas do Iraque e pedindo desculpas ao povo iraniano "pelos crimes cometidos" no passado.

"Os Estados Unidos perceberam que a força não serve e, por isso, optou por mudar. Durante muitos anos, tentaram se opor ao Irã e não conseguiram. O povo iraniano conseguiu impor sua vontade", ressaltou Ahmadinejad.

"Hoje em dia, o Irã não está mais sob a sombra da ameaça. A ameaça acabou. Em muitas ocasiões, fizeram planos e se mobilizaram para atacar. Disseram: primeiro o Afeganistão, depois o Irã, mas não conseguiram", acrescentou.

Neste sentido, o presidente iraniano insistiu em que nem mesmo as sanções "mais duras da história" conseguiram dobrar nas últimas três décadas o espírito e a determinação do Irã.

"Digo hoje com orgulho, a nação iraniana é uma verdadeira e genuína superpotência que alcançou o pico da tecnologia, apesar de outros países tentarem impedi-lo", como mostra o satélite lançado ao espaço na semana passada, disse Ahmadinejad, em meio a gritos de "Alah Akbar" (Deus é grande).

O discurso do presidente, aparentemente conciliador, mas muito firme, contrastou com a propaganda prévia encenada pelo regime, que mobilizou milhares de voluntários e voluntárias islâmicas para lotar a praça.

Os atos finais dos 30 anos da vitória da revolução começaram com uma exibição de paraquedismo, seguida por uma proclama na qual o regime dos aiatolás projetou uma versão mais dura e combativa.

Nela, o regime estabeleceu três condições imprescindíveis para qualquer diálogo: o respeito ao direito do Irã de desenvolver a energia nuclear, a liberação dos fundos iranianos congelados em entidades financeiras estrangeiras e a suspensão do embargo internacional.

Concluída a proclama, e antes de Ahmadinejad tomar a palavra, um dos apresentadores agarrou o microfone e gritou várias vezes: "morte aos Estados Unidos, morte a Israel". EFE jm-msh/an

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