Investimento direto no Brasil aumentou em US$ 2 bi no 2º trimestre, diz Unctad

O fluxo de investimentos externos diretos (IED) para o Brasil ficou em US$ 7,34 bilhões no segundo trimestre deste ano, de acordo com dados da Unctad, a agência da ONU para o desenvolvimento econômico. Trata-se de um aumento de US$ 2 bilhões em relação ao primeiro trimestre do ano (US$ 5,34 bilhões), mas uma queda em relação ao mesmo período de 2008 (US$ 7,9 bilhões).

BBC Brasil |

Os números brasileiros refletem uma tendência mundial. Mas o porta-voz da Unctad, Fabrice Hatem, recomendou cautela na leitura dos números.

"Vamos esperar pelos resultados do ano e não tirar conclusões apenas com base em um pequeno aumento a partir de um nível baixo", afirmou, em entrevista à BBC Brasil.

"Estatisticamente o aumento (do IED no Brasil) parece grande, mas em números absolutos é de apenas US$ 2 bilhões, o que não é muito."
No ano passado o fluxo de investimentos para o Brasil somou US$ 45 bilhões, quase US$ 10 bilhões a mais que em 2007.

Novo indicador

Os dados trimestrais da Unctad foram divulgados junto com um novo índice de monitoramento de investimentos, que a entidade calcula pela primeira vez.

Pelo indicador, o IED saiu do fundo do poço no 2º trimestre deste ano e pôs fim a cinco trimestres consecutivos de queda. Saltou de 70 pontos nos três primeiros trimestres do ano para 115 pontos nos três seguintes.

O índice considera como cem pontos a média trimestral dos investimentos em 2005. A medição é feita em 67 países que respondem por 90% dos fluxos de investimentos no mundo.

Entretanto, a Unctad ressalvou que o índice está 45 pontos abaixo do indicador para o mesmo período do ano passado.

"Este repique vem de um nível muito, muito baixo", disse Hatem.

"Além disso, ele se deve em grande parte a uma questão quase técnica, as transferências entre as empresas, e não a uma melhora profunda da situação econômica", disse.

G20 e Bric

A tendência se repetiu em diversos ângulos e países analisados pela organização.

Em 19 países que integram o G20 (a organização não inclui a União Europeia, que seria o 20º "país-membro" do grupo), o IED passou de US$ 110 bilhões para US$ 151 bilhões.

No segundo trimestre do ano passado, esse volume chegava a US$ 266 bilhões.

Nos outros países dos Bric, o grupo que reúne o Brasil e as três principais economias emergentes, o volume de IED foi maior na China: US$ 21,2 bilhões no segundo trimestre de 2009, nível parecido com o dos três meses anteriores e abaixo dos quase US$ 25 bilhões registrados um ano antes.

Na Índia, o fluxo de IED passou de US$ 8 bilhões para US$ 9,5 bilhões do primeiro para o segundo trimestres, enquanto na Rússia o aumento foi de US$ 8,9 bilhões para US$ 10,2 bilhões no mesmo período.

No passado, esses números para o período abril-junho eram US$ 11,9 bilhões e US$ 22,8 bilhões, respectivamente.

Para a Unctad, "vários indicadores macroeconômicos dão sinal de que o ambiente geral para o investimento internacional está melhorando lentamente", mas "não há sinais de uma retomada futura nos fluxos de investimento".

"Alguns indicadores iniciais disponíveis para o terceiro trimestre sublinham que uma recuperação constante do crescimento do IED ainda não está a caminho", afirmou a agência.

As estimativas são de que o fluxo global de IED caia neste ano em relação ao ano passado.

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