Investigadores começarão nesta quinta-feira a analisar os destroços e as caixas-pretas recuperadas do avião de passageiros que saiu da pista e pegou fogo ao tentar decolar do aeroporto internacional de Barajas, em Madri, na Espanha, na quarta-feira, matando 153 pessoas. O governo espanhol decretou três dias de luto em Madri pelas vítimas do pior acidente aéreo da Espanha em 25 anos.

Familiares começaram a chegar ao necrotério improvisado em um centro de convenções nos arredores da capital para identificar as vítimas. Muitos viajaram das Ilhas Canárias, destino da aeronave. Vários corpos foram retirados do local do acidente durante a noite.

Dezenove pessoas sobreviveram ao desastre ocorrido no Terminal 4. Várias, contudo, estão com ferimentos graves, disse a ministra do Desenvolvimento, Magdalena Álvarez.

Acredita-se que o motor esquerdo pegou fogo quando o avião da Spanair decolava com destino a Las Palmas, nas Ilhas Canárias, no começo da tarde. Havia 172 pessoas a bordo - 164 passageiros e nove tripulantes.

Vários helicópteros lançaram água nos destroços do avião MD 82 para apagar as chamas, e cerca de 70 ambulâncias se dirigiram ao local para cuidar dos feridos.

Segundo Álvarez, o avião havia tentado decolar antes, mas havia retornado à pista devido a um problema técnico. A segunda tentativa de decolagem teria sido feira uma hora depois do horário inicial previsto para a saída do vôo.

A imprensa espanhola disse que o piloto havia relatado uma falha em um medidor de temperatura, mas acreditava-se que o problema havia sido resolvido.

Álvarez disse que investigadores trabalhando no desastre com o vôo JK 5022 descartaram a possibilidade de sabotagem e estão considerando o caso como acidente.

Vítimas
O correspondente da BBC em Madri Steve Kingstone disse que muitos dos familiares das vítimas expressaram raiva contra a Spanair, responsabilizando a aempresa pelo acidente.

Segundo Kingstone, entre os feridos estão um jovem casal de irmãos, que havia perguntado imediatamente pelos pais às equipes de resgate.

Mais de 20 pessoas a bordo do avião seriam crianças e bebês.

Segundo a imprensa espanhola, havia alguns passageiros de nacionalidades alemã, sueca, chilena e colombiana na aeronave.

O primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodrigues Zapatero, abreviou suas férias no sul do país e voltou para a capital para visitar o local do acidente.

"O governo vai fazer todos os esforços para apoiar as famílias neste momento difícil, quando elas receberam a notícia desta tragédia", afirmou.

Esse tipo de avião, MD 82, é usado com freqüência para viagens curtas em torno da Europa, disse o especialista em aviação, Chris Yates, à BBC.

Segundo ele, a Spanair tem um bom histórico de segurança.

O avião envolvido no acidente, de 15 anos, havia passado por uma inspeção de segurança em janeiro, segundo Sergio Allard, um porta-voz da Spanair, de propriedade da empresa escandinava SAS.

Há notícia de que este pode ter sido o primeiro desastre no aeroporto de Barajas desde 1983. Barajas fica a 13 quilômetros do centro de Madri.

A Spanair divulgou um número de telefone (0034 800 400 200) para "facilitar informações" a familiares de passageiros que estavam a bordo do avião.

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