Investigadores pedem cautela sobre polêmica de sensores de velocidade

Luis Miguel Pascual Paris, 11 jun (EFE).- Os investigadores sobre o caso do Airbus que caiu no percurso entre Rio de Janeiro e Paris pediram hoje prudência sobre as causas da tragédia, frente à onda de acusações que apontam os erros nos sensores de velocidade como origem do acidente, que ocasionou a morte de seus 228 ocupantes.

EFE |

"Estamos recolhendo elementos. Não se estabeleceu por enquanto uma relação direta entre os erros nos sensores de velocidade e o acidente", disse hoje à Efe um porta-voz do Escritório de Investigação e Análise (BEA, na sigla em francês), pressionado por causa da grande quantidade de matérias jornalísticas que apontam esses mecanismos como os causadores da tragédia.

Enquanto não encontram as caixas-pretas, procuradas por um submarino nuclear francês, os investigadores têm que se conformar com análises das informações emitidas pelo rádio do avião minutos antes do acidente.

De acordo com essas informações, os sensores falharam e os pilotos desconheciam a velocidade que viajavam.

Esses erros obrigaram o piloto a desligar o piloto automático e outros instrumentos eletrônicos de voo, o que dificultou sua pilotagem em uma latitude complicada, do ponto de vista meteorológico.

Mas a BEA considera que ainda é cedo para concluir que essa falha foi o motivo do acidente e pede prudência.

O diretor geral da Air France, proprietária do avião, Pierre-Henri Gourgeon, disse também não estar "convencido" de que os sensores de velocidade sejam os causadores do acidente.

Mais ousados, os jornais franceses parecem acreditar que os instrumentos foram o motivo que provocou a tragédia.

O jornal "Le Figaro" citou especialistas em acidentes de aviação para concluir que o desconhecimento da velocidade obrigou aos pilotos a voar "às cegas".

Nessas condições, o aparelho alcançou uma velocidade alta demais para suas capacidades, o que pode ter feito com que as peças mais expostas a pressões aerodinâmicas cedessem.

Isso explica, segundo os especialistas, o grande tamanho dos restos do avião encontrados no oceano Atlântico, o que conclui que o avião não se desintegrou após cair na água.

As falhas nos sensores de velocidade dos Airbus A330 e A340 não são algo novo. Já foram registradas no passado e estão relacionadas com a presença de água congelada nos equipamento, o que as inutiliza.

Os pilotos conseguiram remediar a maioria dessas falhas, seguindo um protocolo de atuação previsto pela Airbus para estes casos.

Cada avião está equipado com três destes sensores e, quando os dados enviados a cada um deles são diferentes demais, o sistema do aparelho pára de levá-los em conta.

Os pilotos, então, passam a conduzir o avião sem ajuda automática. É o que sucedeu no dia 1º de junho, no voo AF447.

Apesar de a Airbus ter insistido que estes aviões podem ser pilotados sem a assistência pontual dos sensores, a companhia propôs a instalação de equipamentos mais avançados, depois das falhas detectadas.

No dia 27 de abril, a Air France decidiu trocar os instrumentos em seus 35 aviões A330 e A340 para evitar essas falhas.

Mas a centena de sensores que foram encomendadas da empresa Thales não chegou até três dias antes do acidente no Atlântico, sem tempo para colocá-los em todos os aviões, segundo seu diretor- geral.

Depois do acidente, a companhia francesa acelerou o programa de substituição, que espera ser finalizado antes do final da semana.

EFE lmpg/pd

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