Investigadores da ONU pedem respaldo de Conselho de Direitos Humanos em Gaza

Genebra, 29 set (EFE).- O juiz sul-africano Richard Goldstone, presidente da missão de investigação da ONU que determinou que Israel e Hamas cometeram crimes de guerra durante a ofensiva militar israelense de janeiro passado em Gaza, pediu hoje ao Conselho de Direitos Humanos que aprove seu relatório e suas recomendações.

EFE |

"A cultura da impunidade na região leva tempo demais existindo", disse Goldstone, que ressaltou que a mais importante das recomendações de seu relatório é que os culpados do sofrimento causado aos civis paguem por seus crimes.

Goldstone se referiu aos apoios, mas sobretudo às duras críticas e ataques que sua equipe recebeu desde que em 15 de setembro apresentaram o relatório preliminar perante a Assembleia Geral da ONU em Nova York.

As críticas procederam especialmente de Israel, mas também de seu principal aliado, Estados Unidos, que já qualificou o relatório de "desequilibrado e inaceitável" e que nesta 12ª sessão do Conselho de Direitos Humanos ocupa pela primeira vez um assento.

Em sua apresentação hoje, Goldstone rejeitou, especialmente "a acusação que nosso esforço teve motivações políticas".

"Aceitamos a missão (de investigação) porque acreditamos firmemente no império da lei, na lei humanitária e no princípio que os civis nos conflitos armados devem ser protegidos do dano o máximo possível", assinalou.

Goldstone explicou que seu relatório analisa 36 incidentes concretos ocorridos em Gaza, entre eles "alguns nos quais as forças armadas israelenses lançaram ataques diretos contra civis com consequências letais".

"Outros incidentes que detalhamos se referem ao emprego pelas forças israelenses de escudos humanos, em violação de uma sentença anterior do Tribunal Supremo israelense que proibiu essa conduta".

Goldstone assinalou que o relatório também "detalha o sofrimento da população civil do sul de Israel pelo lançamento de foguetes por parte dos grupos armados palestinos".

Mas insistiu em que, na opinião da missão, "o ataque contra a única fábrica que seguia produzindo farinha, a destruição da maior parte da produção de ovos em Gaza, a destruição com escavadeiras de enormes superfícies de terra agrícola e o bombardeio de 200 fábricas, não podem ser justificados de nenhuma maneira com razões militares".

"Esses ataques não tiveram nada a ver com o disparo de foguetes e morteiros contra Israel", ressaltou.

Goldstone lembrou perante os membros do CDH que a missão espera que no prazo de seis meses Israel e as autoridades de Gaza averigúem as violações do direito internacional cometidas, respectivamente, pelo Exército israelense e pelos grupos armados palestinos e informem ao Conselho de Segurança da ONU.

Em caso contrário, este "deve transferir a situação ao fiscal do Tribunal Penal Internacional.

O juiz sul-africano também disse que a missão recomendou à Assembleia Geral que promova uma discussão urgente sobre o emprego de munição como o fósforo branco, que foi usado por Israel em Gaza com graves danos para os civis. EFE vh/fk

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