Segundo imprensa local, corpo do agente foi achado em estrada que leva à cidade de San Fernando, onde 72 foram assassinados

Um agente do Ministério Público do México que investigava a chacina que matou 72 pessoas em San Fernando foi encontrado morto nesta sexta-feira em uma estrada que leva à cidade. A informação é do jornal mexicano "El Universal".

O corpo de Roberto Javier Suárez Vázquez foi encontrado na estrada San Fernando-Mendéz, no Estado de Tamaulipas. A seu lado foi encontrado outro corpo, que ainda não foi identificado. Segundo a agência EFE, uma investigação foi aberta para determinar a causa da morte do agente.

Usando roupa de proteção, funcionário da perícia caminha próximo ao local onde estão os corpos (26/08)
AP
Usando roupa de proteção, funcionário da perícia caminha próximo ao local onde estão os corpos (26/08)

O massacre de 58 homens e 14 mulheres está sendo atribuído ao grupo criminoso Los Zetas, segundo testemunhos do único sobrevivente - o equatoriano Luis Freddy Lala Pomavilla, que conseguiu escapar ao se fingir de morto depois de ser baleado e procurar as autoridades.

Segundo Pomavilla, o grupo era de imigrantes que tentavam entrar ilegalmente nos Estados Unidos. Eles foram sequestrados pelo grupo armado e assassinados por se negar a entrar no crime organizado.

As vítimas tiveram olhos vendados, bocas e mãos atadas e foram colocados em fila, contra a parede de um galpão, onde foram mortos a tiros.

Brasileiros

O governo do Brasil tenta confirmar a identidade de um brasileiro que estaria entre os 72 imigrantes ilegais encontrados mortos em San Fernando. Segundo a procuradoria mexicana, 31 corpos já foram identificados e um deles seria de um brasileiro, mas o Itamaraty ainda não confirma a informação.

Procurado pelo iG , o Itamaraty afirmou que na noite de quinta-feira o governo mexicano passou às autoridades brasileiras o nome de uma vítima que seria do Brasil. No entanto, o nome não foi encontrado no sistema do consulado do país no México, que relaciona apenas pessoas que possuem passaporte.

O Itamaraty afirmou que o nome não parece brasileiro, mas não quis divulgá-lo. Agora, o consulado do Brasil tenta conseguir mais informações sobre a vítima com a procuradoria de Tamaulipas e a secretaria de Relações Exteriores do México.

Na quinta-feira, o cônsul-geral do Brasil no México, Márcio Araújo Lage, e o vice-cônsul, João Batista Zaidan Fernandes, foram à cidade mexicana de Reynosa, uma das mais importante de Tamaulipas. Eles participaram de reuniões sobre as investigações, mas não foram a San Fernando, por questões de segurança.

Segundo o Itamaraty, as autoridades brasileiras já voltaram para a Cidade do México, mas seguem em contato com o governo do México para acompanhar a investigação.

O governo mexicano informou preliminarmente na quarta-feira que pelo menos quatro imigrantes mortos seriam brasileiros. No entanto, as autoridades encontram dificuldade em identificar as vítimas porque muitas não possuem passaportes ou documentos de identidade.

Busca por culpados

Na quinta-feira, soldados mexicanos vasculharam a zona rural na fronteira com o Estado americano do Texas em busca dos autores do massacre, o pior da guerra entre traficantes no país.

Patrulheiros fortemente armados em caminhões, tanques e jipes percorreram cidades e vilarejos na região de fronteira, enquanto helicópteros sobrevoavam a área.

Representantes pastorais mexicanos afirmaram nesta quinta-feira que há mais de quatro anos denunciam que o cartel do tráfico Los Zetas está sequestrando e assassinando imigrantes no nordeste, afirmando que não foram atendidos pelas autoridades. O padre Pedro Pantoja, representante da Associação de Casas del Migrante do México, explicou que "as ações de sequestro de imigrantes buscam não só pedir resgate, mas submetê-los a condições de exploração trabalhista e sexual e outros fins ilícitos".

Migrantes que tentam entrar nos EUA estão cada vez mais sob risco por causa das quadrilhas de traficantes que operam praticamente impunes em áreas do norte do México. A cada ano, calcula-se que cerca de 300 mil imigrantes ilegais cruzem a fronteira sul do México com a intenção de chegar aos Estados Unidos, e muitos deles são vítimas de extorsões, roubos, violações e sequestro.

Presidente mexicano, Felipe Calderón, lançou guerra contra o narcotráfico logo após posse
Arte/iG
Presidente mexicano, Felipe Calderón, lançou guerra contra o narcotráfico logo após posse

Mais de 28 mil pessoas morreram na violência relacionada ao narcotráfico desde que o presidente Felipe Calderón lançou sua guerra contra os cartéis, quando assumiu o poder no fim de 2006. Calderón prometeu avançar com a repressão e advertiu que é provável que ocorram mais episódios de violência.

Embora a maior parte do conflito esteja restrito aos traficantes e às forças de segurança, a violência se espalha por regiões do país antes consideradas pacíficas.

Com BBC, Ansa, Reuters e AFP

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