Viena, 5 jun (EFE).- A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse hoje, em Viena, que as investigações sobre o programa nuclear iraniano continuam estagnadas, dada a falta de cooperação da República Islâmica.

Em seu relatório mais recente sobre o Irã, ao qual a Agência Efe teve acesso, a AIEA afirma que Teerã já produziu 1.339 quilos de urânio pouco enriquecido (UPE). Na comparação com fevereiro, a quantia total do material cresceu 33%.

Segundo um alto funcionário da ONU em Viena, desde fevereiro "houve muito pouco progresso" nas investigações sobre o programa atômico iraniano.

"Continua havendo vários assuntos pendentes que causam preocupação e que precisam ser esclarecidos para excluir a existência de possíveis dimensões militares no programa nuclear do Irã", assinalam os inspetores da AIEA em seu relatório.

Os EUA e outros países denunciaram perante a AIEA com uma série de documentos confidenciais as supostas intenções da República Islâmica de desenvolver a bomba atômica, algo que Teerã desprezou como falso.

"Se o Irã não permite o regime de inspeções sem aviso prévio e não esclarece os assuntos pendentes, a AIEA não será capaz de dar seguridades críveis sobre a ausência de material e atividades nucleares não declaradas nesse país".

Outra alta fonte relacionada com a inspeção da AIEA destacou em declarações à Efe que "em público e em privado, os responsáveis iranianos dizem que este assunto está encerrado".

Desde um arrefecimento registrado entre novembro e fevereiro do ano passado, o Irã aumentou seu ritmo de instalação de centrífugas de gás para a produção de urânio enriquecido, um material especialmente delicado por seu possível duplo uso, militar e civil.

Nestes momentos, os inspetores da AIEA contabilizaram mais de 7.200 centrífugas de gás, das quais quase 5 mil já produzem urânio enriquecido.

No último relatório do mês de fevereiro, o número de centrífugas era de cerca de 5.500 unidades, com quase 4 mil em pleno funcionamento.

Por outro lado, a AIEA denuncia que o Irã segue en frente com a construção de um reator de água pesada, que produz plutônio, outro material que serve para a fabricação de bombas nucleares, sem permitir inspeções da ONU nesse local.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas e o Conselho de Governadores da AIEA exigem há anos que o Irã suspenda todas suas atividades relacionadas com o enriquecimento de urânio como uma medida de confiança, algo que o Irã rejeita.

Os EUA e a União Europeia (UE) temem que Teerã queira possuir essa tecnologia para poder construir no futuro armas nucleares, por isso que a AIEA já investiga há mais de seis anos a natureza do programa nuclear iraniano.

A República Islâmica assegura que seus esforços nucleares têm apenas objetivos pacíficos como a geração de energia elétrica. EFE jk/ma

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