Investigação sobre avião continua na França sem determinar causas

Paris, 4 jun (EFE).- Quatro dias após desaparecer sobre o Oceano Atlântico, continuam não esclarecidas as causas do acidente com o avião da Air France que fazia a rota entre Rio de Janeiro e Paris, no qual viajavam 228 pessoas.

EFE |

Alguns especialistas estimam que os destroços encontrados pela Força Aérea Brasileira (FAB) oferecem a prova de que o avião caiu no mar, outros, pelo contrário, dizem que mostram que o aparelho explodiu no ar.

Enquanto as imprensas francesa e brasileira publicam hoje declarações diversas de especialistas aeronáuticos, os responsáveis pela investigação na França mantêm silêncio sobre as mais recentes averiguações.

Na falta de explicações oficiais, a imprensa francesa, e também a brasileira, oferece detalhes extraoficiais do que pode ter acontecido.

A única informação concreta que se sabe e que foi reiterada hoje pelo presidente da companhia Air France, Jean-Cyril Spinetta, é que é impossível que haja sobreviventes do voo AF447, porque o aparelho se desintegrou.

O porta-voz das famílias, Guillaume de Saint-Marc, disse que Spinetta e outros diretores da companhia aérea informaram a parentes dos passageiros e tripulação que "o avião não conseguir amarar (pousar no mar) e que se desintegrou, seja no ar ou em contato com o mar".

Informações da Marinha brasileira indicam que as operações de busca se concentram em uma área de cerca de 6 mil quilômetros quadrados próxima ao arquipélago de São Pedro e São Paulo, formações rochosas desabitadas que pertencem ao Brasil.

A grande extensão da área do Atlântico onde foram detectados alguns destroços do aparelho leva a crer que pode ter ocorrido uma explosão no ar, segundo a versão divulgada pelo jornal "Le Figaro", que citou em sua edição de hoje fontes da investigação não identificadas.

"É possível observar fragmentos ao longo de uma distância de mais de 300 quilômetros", segundo a fonte do jornal francês, que acrescenta que isso "apoia (a teoria) de uma explosão, que teria afetado a aeronave em pleno voo, mais do que a de uma destruição ao entrar em contato com o mar".

O "Figaro" acrescenta que, se tivesse ocorrido uma explosão a cerca de 10 mil metros de altura, isso se explicaria tanto por causa de um fenômeno meteorológico "excepcionalmente violento" quanto por uma "brusca despressurização" ou um "atentado terrorista".

O jornal "Le Monde" afirmou que o Airbus A330 desaparecido voava a uma velocidade "equivocada", acrescentando que, pelo "encadeamento de eventos catastróficos", aconteceu a desintegração do aparelho em pleno voo.

O jornal tira estas conclusões das mensagens que o avião enviou automaticamente antes de se perder o contato com o aparelho.

O Escritório de Pesquisas e Análises (BEA, em francês) não publicou novas informações em relação às circunstâncias nas quais o avião desapareceu, depois que ontem seus representantes advertiram que será difícil encontrar as caixas-pretas.

No entanto, precisou também que, mesmo se esses dispositivos de registro de operações de voo fossem encontrados, não estaria garantida a possibilidade de que determinassem o que aconteceu.

O BEA, que pretende publicar um primeiro relatório no final do mês, é responsável pela "investigação de segurança", destinada a evitar que alguma falha ou algum problema possa se repetir no futuro, já que a aeronave tinha registro francês e caiu em águas internacionais do Atlântico.

Hoje, o porta-voz do Estado-Maior francês, Christophe Prazuck, disse que, ao contrário dos brasileiros, os aviões franceses enviados à área não tinham encontrado nenhum destroço que pertencesse ao Airbus acidentado.

Acrescentou que os aviões dos diferentes países trabalham de forma coordenada, por isso sobrevoam as áreas em momentos diferentes para obter o máximo rendimento, em uma busca que deve ser complicada e que requer uma grande mobilização de recursos. EFE jam/an

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