Investigação sobre a máfia opõe juízes e Berlusconi na Itália

Roma, 9 set (EFE).- A Associação Nacional de Magistrados (ANM) italiana afirma que o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, não reconhece a autoridade de juízes e da Polícia nas ações de combate ao crime organizado.

EFE |

Em comunicado divulgado hoje, a entidade dos magistrados considerou inaceitável as declarações feitas na terça-feira por Berlusconi, que classificou de loucura o fato de as Procuradorias de Palermo e Milão estarem investigando os atentados da máfia siciliana entre 1992 e 1993.

As investigações recomeçaram a partir das informações do antigo integrante da Cosa Nostra Gaspare Spatuzza, que atualmente colabora com a Justiça italiana e detalhou como eram as relações dos chefes da máfia, Giuseppe e Filippo Graviano, com políticos e empresários do norte do país, entre 1992 e 1995.

Quando os Graviano foram presos em Milão, as investigações conduziram a Marcello Dell'Utri, senador pelo partido Povo da Liberdade (PDL) - a mesma legenda de Berlusconi - que foi condenado a nove anos de prisão por associação à máfia.

No decorrer das investigações por causa do atentado de 27 de julho de 1993 em Milão, os juízes concluíram que os irmãos Graviano foram os autores intelectuais do crime.

"Acho ruim estas pessoas (os juízes), que utilizam o dinheiro de todos, ficarem conspirando contra nós, que trabalhamos pelo bem do país", acrescentou Berlusconi.

"É totalmente inaceitável que um chefe de Governo afirme que magistrados comprometidos com investigações dificílimas sobre fatos que se encontram entre os mais graves da história de nosso país, como os atentados dos mafiosos no início dos anos 90, estejam esbanjando dinheiro dos contribuintes", continua o texto.

A associação de juízes acredita que é do interesse de todos esclarecer os graves fatos ainda obscuros. EFE if/dm-an

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