Investigação pública sobre morte de Jean Charles começa em Londres

Londres, 20 set (EFE) - A investigação mais esperada do ano, que deve estabelecer as circunstâncias exatas da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto a tiros pela Polícia britânica após ser confundido com um terrorista suicida, começará na segunda-feira em um conhecido campo de críquete de Londres.

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Pela primeira vez, e depois de mais de três anos, a família do brasileiro terá a oportunidade de interrogar as pessoas diretamente envolvidas no grave erro da Scotland Yard, inclusive os dois policiais que atiraram sete vezes à queima-roupa no eletricista em um vagão do metrô londrino.

Será também a primeira vez que os dois agentes da unidade de armas de fogo da Polícia Metropolitana darão depoimento em público sobre o ocorrido em 22 de julho de 2005, um dia depois que quatro terroristas suicidas tentaram cometer uma onda de atentados na cidade.

O resultado da investigação será também determinante para o futuro do comissário-chefe da Scotland Yard, Ian Blair, acusado de ter ocultado os detalhes sobre o fato e sobre quem pesa a acusação de tolerar situações de racismo na instituição que coordena.

Blair sempre afirmou que apenas ficou confirmado que Jean Charles era inocente 24 horas depois do episódio e antes de uma investigação prévia, realizada pela Comissão Independente de Queixas da Polícia (IPCC, em inglês), que isentou a vítima de qualquer responsabilidade.

No entanto, o ex-comissário da Scotland Yard Brian Paddick, que rejeitou a versão oficial e acabou deixando a Polícia Metropolitana, está entre os cerca de 50 funcionários convocados para depor.

Segundo o jornal "The Guardian", Paddick deve criticar em seu depoimento a prática da Scotland Yard de atirar para matar, o que permite que seus agentes disparem na cabeça de um suspeito sem aviso prévio.

Cressida Dick, uma policial envolvida no caso, a quem um júri já absolveu de qualquer responsabilidade direta no ocorrido e que foi promovida ao cargo de subcomissária adjunta, também deve depor.

A mãe e um irmão do brasileiro estarão presentes durante a investigação.

Entre as perguntas que a família deseja fazer está a de por que quem seguiu Jean Charles desde sua casa naquele dia permitiu que ele pegasse dois ônibus e depois um metrô antes de atirar nele diante de passageiros totalmente aterrorizados. EFE jr/fh/db

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