Investigação indica que Ould Semane é o chefe da Al Qaeda na Mauritânia

Nuakchott, 2 mai (EFE) - O mauritano Jadim Ould Semane é o emir (chefe) da Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI), informaram hoje à Agência Efe fontes da investigação oficial realizada após sua detenção, junto com outros supostos terroristas, na última quarta em Nuakchott.

EFE |

"Semane reconheceu ter sido nomeado pessoalmente por Moctar Belawar, chefe do Grupo Salafista para a Pregação e o Combate, transformado depois no ramo da Al Qaeda no Magrebe", declararam as fontes, que pediram anonimato.

Segundo a confissão de Ould Semane, há centenas de islâmicos salafistas na Mauritânia, dos quais a metade já jurou "beyeâ" (fidelidade no Islã) a ele e comunicaram que os demais o reconhecem de fato como líder, disseram as fontes.

Ould Semane já tinha sido detido uma vez por acusações de atividades religiosas extremistas, mas escapou de prisão em 2006 e retornou ao país clandestinamente em setembro de 2007 com "três objetivos: obter uma grande soma de dinheiro, atacar a Embaixada de Israel e seqüestrar estrangeiros para enviá-los a Belawar, que pediria resgate por eles".

O primeiro objetivo corresponde com a ação protagonizada por extremistas islâmicos em 23 de outubro de 2007, quando um veículo foi atacado em Nuakchott, e foram levados 56 milhões de uguiyas (cerca de 150 mil euros) que estavam destinados a uma entidade bancária.

Os outros dois objetivos não foram completados, já que o ataque contra a delegação diplomática de israelense, em primeiro de fevereiro de 2008, só conseguiu ferir três franceses que estavam em uma discoteca próxima, e a tentativa de seqüestro se transformou em assassinato de quatro turistas franceses, no dia 24 de dezembro em Aleg (a 260 quilômetros ao sul de Nuakchott).

As fontes da segurança mauritana afirmaram que os passaportes e outros documentos dos turistas franceses foram achados em poder de Ould Semane após sua detenção, o que comprova, segundo elas, sua pretensão de se transformar no "emir" dos salafistas mauritanos.

Dos 56 milhões de uguiyas roubados, 45 milhões foram enviados a Belawar, enquanto o resto foi destinado a financiar as atividades do grupo na Mauritânia, como o aluguel de casas e veículos e a compra de armas, munição e material de fabricação de explosivos.

"A fabricação local de explosivos se desenvolveu depois do ataque contra a Embaixada de Israel, enquanto os cinturões com explosivos e as granadas de mão foram feitos e testados com sucesso pelos salafistas em primeiro de abril de 2008 a cinco quilômetros ao norte de Nuakchott", indicaram as fontes, que disseram não saber contra quem iam ser empregados.

Não foi excluído, no entanto, que os explosivos estivessem preparados para atacar personalidades estrangeiras ou membros do Governo mauritano, acrescentaram as fontes, que afirmaram não haver provas de haver cúmplices dentro do aparelho de segurança mauritano.

EFE mo/iw/fal

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