Investigação esclarece pontos de ataques com antraz nos EUA em 2001

Teresa Bouza Washington, 6 ago (EFE) - O mistério que rodeou a investigação sobre os ataques com antraz de 2001 começou a ser esclarecido hoje depois que um juiz autorizou a divulgação de documentos sobre o caso e o FBI (Polícia federal americana) prestou contas em particular a parentes e afetados.

EFE |

As mais de 100 páginas de documentos que o juiz federal Royce Lamberth colocou hoje à disposição do público incluem várias ordens de revista à casa de Bruce Ivins, um biólogo que trabalhava para o Exército e o principal suspeito dos ataques de 2001, nos quais morreram cinco pessoas e 17 ficaram feridas.

Declarações de amigos e pessoas ligadas ao cientista mostram que Ivins, que se suicidou na semana passada, foi submetido a uma enorme pressão por parte do FBI.

O jornal "The Washington Post" cita hoje um cientista amigo do biólogo, que menciona que, no ano passado, quando o biólogo estava fazendo compras com a família, um grupo de agentes se dirigiu a ele dizendo: "Você matou várias pessoas", e, em seguida, perguntou à esposa de Ivins: "Você sabe que ele assassinou pessoas?".

Além disso, e segundo o mesmo depoimento, o FBI ofereceu US$ 2,5 milhões ao filho de Ivins e o veículo esportivo que ele quisesse em troca de que fornecesse evidências contra o pai.

A citada fonte assegurou que, enquanto a filha do biólogo estava internada, recebeu uma visita de agentes policiais, que mostraram fotos das vítimas do antraz para demonstrar o que o pai da menina "tinha feito".

Por outro lado, nos últimos dias foram divulgados preocupantes relatos da terapeuta que tratava Ivins de depressão e abuso de álcool e soníferos, que o descreveu como um assassino vingativo que tinha tentado envenenar pessoas.

Amigos e ex-colegas do laboratório de biodefesa do Exército de Fort Detrick, Maryland, no qual trabalhava acham que o comportamento foi causado pela pressão a qual teve que suportar.

O fato de as autoridades terem sido forçadas a pagar indenização de quase US$ 6 milhões a Steven Hatfill, outro cientista que trabalhava ao Governo, após concluir que a investigação contra ele não se sustentava, não fez mais que alimentar o ceticismo popular.

Mesmo assim, as autoridades insistem em que as provas são conclusivas e dizem estar preparadas para encerrar o caso e tornar públicos os detalhes da longa investigação.

Segundo informação divulgada pela imprensa local, o FBI teria determinado, mediante análise de DNA, que a amostra de antraz utilizada nos ataques de há sete anos era idêntica a uma que Ivins manipulava no laboratório do Exército.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou que antes de revelar as citadas provas, era necessário manter uma reunião com familiares das vítimas e pessoas afetadas pelos ataques.

Esse encontro ocorreu hoje na sede do FBI em Washington.

O diretor do FBI, Robert Müller, informou em particular com os participantes sobre uma das investigações mais caras na história da Polícia federal americana.

As vítimas do Bacillus anthracis, uma bactéria que causa a doença antraz, também chamada carbúnculo, receberam correspondência contaminada.

As cartas eram enviadas de Nova Jersey à imprensa de Nova York e Flórida e a legisladores democratas no Congresso.

Os ataques foram registrados pouco depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 contra Washington e Nova York, o que agravou o estado de psicose que já existia no país.

Além disso, implicaram investimentos multimilionários para implementar mudanças no serviço postal americano.

Ivins, um reputado cientista, trabalhou durante 18 anos no desenvolvimento de vacinas contra o antraz.

O biólogo estava sendo investigado há mais de um ano e tinha recebido a notificação de que o Departamento de Justiça americano estava a ponto de iniciar um julgamento contra ele por assassinato.

EFE tb/db

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