Investigação diz que 'The Sun' pagava policiais por informações

Militares e funcionários do governo também recebiam dinheiro de tabloide da empresa de Murdoch, envolvida em escândalo de grampos

iG São Paulo |

Uma autoridade da Scotland Yard (polícia metropolitana de Londres) afirmou nesta segunda-feira que o The Sun, tabloide mais vendido do Reino Unido e publicado pela empresa do magnata Rupert Murdoch , pagava policiais, militares e funcionários do governo para obter informações.

A acusação foi feita por Sue Akers, vice-comissária-assistente da Scotland Yard, no mesmo dia em que a empresa de Murdoch concordou em pagar mais de US$ 950 mil (cerca de R$ 1,6 milhão) para a cantora britânica Charlotte Church como indenização por ter sido uma das vítimas do escândalo de escutas ilegais do extinto tabloide News of the World .

No domingo, Murdoch lançou um novo tabloide dominical, o The Sun on Sunday , que vendeu mais de 3 milhões de exemplares.

Leia também: Charlotte Church receberá US$ 951 mil como indenização por grampos

Reuters
Rupert Murdoch segura a primeira edição do seu novo jornal

De acordo com Sue, o pagamento de autoridades por repórteres e editores do The Sun era uma prática discutida abertamente e autorizada pela direção. De acordo com ela, um policial recebeu cerca de US$ 126 mil (cerca de R$ 215,3 mil) durante vários anos como parte de uma “rede de policiais corruptos” que dava ao The Sun informações que eram “basicamente fofocas”.

“Aparentemente havia uma cultura de pagamentos ilegais no The Sun e sistemas que foram criados para facilitar esses pagamentos, escondendo a identidade dos que recebiam dinheiro”, afirmou a vice-comissária-assistente, encarregada da investigação policial sobre escutas ilegais e suborno de policiais.

Ela acrescentou que um jornalista recebeu US$ 238 mil (cerca de R$ 406,7 mil) em dinheiro, durante vários anos, para pagar suas fontes.

A vice-comissária-assistente não esclareceu quando os pagamentos acabaram, mas Murdoch insistiu que as práticas do The Sun mudaram.

“Como já deixei claro, estamos fazendo todo o possível para chegar até a raiz dos problemas antigos para que possamos seguir o caminho certo em direção ao futuro”, afirmou o magnata, em comunicado. “Esse processo já está acontecendo. As práticas que Sue Akers descreveu são coisa do passado, já não existe mais no The Sun. Já emergimos como uma empresa mais forte.”

A investigação sobre práticas ilegais na imprensa britânica foi motivado pelo escândalo das escutas ilegais do News of The World. O tabloide publicado pela empresa de Murdoch foi acusado de monitorar os telefone se centenas de personalidades e cidadãos comuns.

Nesta segunda-feira, a cantora britânica Charlotte Church fechou um acordo de indenização com a News Group Newspapers (NGN), uma subsidiária da News International, braço britânico da News Corp de Murdoch. Acordos similares foram firmados entre a NGN e personalidades como o ator Jude Law , o jogador de futebol Ashley Cole e o ex-vice-premiê britânico John Prescott.

A NGN admitiu que o News of the World publicou 33 reportagens sobre Charlotte nas quais informações tinham sido obtidas por meio de grampos nos telefones dela e da família. Os pais da cantora também serão beneficiados pela indenização.

Leia também: Entenda o escândalo de grampos do tabloide News of the World

A cantora, que lançou seu primeiro álbum em 1998, quando tinha 11 anos, tornou-se uma sensação da música clássica britânica. Durante a adolescência, quando migrou para o pop, o interesse dos tabloides por sua vida privada cresceu, e notícias sobre sua vida amorosa e as festas das quais participara eram frequentemente estampadas nas capas dos jornais.

Ela disse não acreditar que a empresa de Murdoch realmente lamente o caso. “Eles não estão realmente arrependidos. Só lamentam terem sido descobertos”, afirmou a cantora, em comunicado.

Em entrevista à AP, Charlotte disse que se distanciou de várias amigas de infância por acreditar que elas contavam segredos seus para a imprensa. Ela também afirmou que sua carreira foi prejudicada pelas reportagens do News of the World.

“Agora entendo o poder que eles têm. As pessoas realmente acreditam no que está escrito, e muitas das coisas que eles escreveram não eram verdade”, afirmou. “Eu virei um personagem de desenho, de novela.”

Com AP

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