Investigação de acidente em submarino causa discórdia na Rússia

Moscou, 13 nov (EFE).- A Câmara Pública russa -órgão consultivo do Kremlin- considerou hoje que as conclusões do Comitê de Instrução da Procuradoria Geral, que apontou um marinheiro como o causador do acidente no submarino nuclear russo Nerpa, no qual morreram 20 de seus tripulantes, foram apressadas.

EFE |

O presidente da Comissão de Controle do organismo consultivo adjunto à Presidência, o advogado Anatoli Kucherena, anunciou em declarações à agência "RIA Novosti" que será verificado o andamento da investigação.

"Solicitaremos uma série de documentos. Vamos esclarecer a situação, pedir aos órgãos de instrução todas as linhas de investigação que forem examinadas para não se fazerem conclusões apenas com base em uma confissão", disse.

Esta manhã, o porta-voz do Comitê de Instrução, Vladimir Markin, comunicou que "um marinheiro, membro da tripulação, ativou, sem motivo algum para isso, o sistema de extintor de incêndios".

A ativação desse sistema, que libera Gás Freon, causou a morte de 20 das 208 pessoas que estavam a bordo do submarino.

"O marinheiro confessou", disse Markin, que não revelou a identidade do suposto responsável da tragédia.

O acidente aconteceu no sábado passado quando o "Nerpa" fazia uma travessia de teste no oceano Pacífico.

"É preciso verificar a participação de todas as pessoas envolvidas. Apesar da confissão, deve-se esclarecer como aconteceu essa confissão", disse Kucherena.

Segundo o advogado, "a investigação atuou de maneira apressada. O processo acabou de começar, ainda não se fez uma série de diligências - com as quais se estabelece o culpado - e hoje já há uma pessoa que supostamente confessou".

Ele acrescentou que na prática judicial há suficientes exemplos de pessoas que se dizem culpados e são inocentes.

Já uma fonte próxima à investigação indicou que é preciso estabelecer por que um marinheiro teve acesso ao sistema de extintor de incêndios.

"Somente os membros da tripulação, que são oficiais de alta categoria, têm acesso a esse sistema. É impossível ativar um sistema que é protegido por vários níveis de confirmação", disse a fonte.

EFE bsi/fh/jp

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