Investigação da AIEA pára e Irã amplia programa nuclear

Por Mark Heinrich VIENA (Reuters) - A agência da ONU para a questão nuclear (AIEA) parou de investigar as atividades nucleares do Irã, que por sua vez continua gradativamente a ampliar seu programa de enriquecimento de urânio, disseram diplomatas à Reuters.

Reuters |

Eles esperam que o relatório de segunda-feira da agência reflita tal situação, num momento em que diminuiu a pressão internacional sobre o Irã -- devido aos atritos entre a Rússia e o Ocidente após a guerra com a Geórgia e pelo fato de o governo Bush já estar em fim de mandato nos EUA.

Em maio, a AIEA disse que o Irã parecia estar retendo informações necessárias para explicar suspeitas a respeito do enriquecimento de urânio, do teste de explosivos e da adaptação de um míssil para receber ogivas nucleares.

Na época, o diretor da agência, Mohamed El Baradei, pediu ao país que parasse de simplesmente negar as suspeitas e começasse a permitir visitas de inspetores às instalações, acesso a documentos e entrevistas com funcionários envolvidos.

O Irã diz ter direito a enriquecer urânio para alimentar usinas nucleares que gerem energia para fins civis. O Ocidente suspeita do desenvolvimento de armas atômicas.

Nos últimos três meses, o Irã manteve reuniões com a AIEA em Viena, mas aparentemente sem avanços, segundo diplomatas ligados à agência, que pediram anonimato por não estarem autorizados a falar publicamente sobre o assunto.

'O que se diz é que não há progressos em esclarecer as possíveis dimensões militares do programa', disse um diplomata europeu, alertando, como outros, que um quadro mais claro só surgirá a partir do próximo relatório de El Baradei.

Dois diplomatas disseram que em agosto o Irã barrou o acesso da AIEA a oficinas possivelmente envolvidas nas alterações dos mísseis.

'Disseram para nós que o relatório será negativo', afirmou um terceiro diplomata. Outras fontes disseram que o Irã reduziu a cooperação com a AIEA a um mínimo previsto no seu acordo de salvaguardas nucleares com a agência.

Isso significa que há apenas inspeções limitadas de rotina em locais nucleares declarados, mas sem acesso a instalações que, segundo o Irã, poderiam comprometer sua segurança e envolveriam apenas instalações militares convencionais, fora da jurisdição da AIEA.

'Eles não querem visitas a locais de defesa nacional', disse um diplomata bem informado sobre as negociações.

De acordo com essa fonte, Teerã teme que seus inimigos EUA e Israel usem tais visitas para 'obter coordenadas para futuros ataques e para identificar pessoal-chave a ser alvejado.'

'Não é só uma simples história de obstrução iraniana. Mas há um impasse. A veracidade dos supostos estudos [sobre bombas atômicas] não pode ser conclusivamente provada', disse um diplomata.

As potências ocidentais podem aproveitar a reunião dos 35 países da AIEA, entre 22 e 26 de setembro, para tentar aprovar uma resolução que exija a colaboração iraniana. Tal pressão, que depende também do tom do relatório, seria acima de tudo simbólica.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG