Investigação confirma que milhares de crianças sofreram abusos em orfanatos católicos na Irlanda

DUBLIN - Milhares de crianças sofreram abusos sexuais e agressões físicas de forma sistemática em orfanatos, escolas e reformatórios irlandeses dirigidos pela Igreja Católica, revela uma exaustiva investigação publicada nesta quarta-feira em Dublin, na Irlanda.

Redação com agências internacionais |

Os abusos sexuais em instituições para crianças dirigidas pela Igreja Católica irlandesa foram "endêmicos" entre 1930 e 1990, afirma o relatório divulgado nesta quarta-feira, após uma investigação que durou quase 10 anos. Segundo a Comissão de Inquérito sobre Abuso Infantil da Irlanda, criada em 2000, os menores sofreram violência física e abuso sexual em locais que chegaram a abrigar cerca de 35 mil crianças até o final dos anos 80, quando foram fechadas.

O relatório, que aborda a situação de mais de cem instituições religiosas investigadas ao longo dos últimos nove anos, concluiu que os líderes da Igreja sabiam sobre os abusos sexuais de meninos. "Crianças viviam com o terror diário de não saber de onde a próxima agressão viria", diz um trecho do relatório.

Além disso, segundo os depoimentos citados no documento, meninos e meninas das instituições apanhavam com tiras de couro por conversar durante as refeições ou por escreverem com a mão esquerda. "As escolas eram administradas de forma severa, impondo uma disciplina opressiva e não razoável às crianças e funcionários", diz o relatório.

Segundo o relatório, o estupro era mais comum nas instituições de meninos, a maioria chefiada pela Irmandade Cristã. As instituições femininas, supervisionadas pelas freiras da ordem Irmãs de Misericórdia, sofriam menos abusos sexuais, mas eram frequentemente agredidas fisicamente e humilhadas.

O documento divulgado nesta quarta-feira também acusa o governo irlandês de ser incapaz de controlar e encerrar os abusos, estupros e agressões contra as crianças.

O relatório de 2.600 páginas conclui que membros da Igreja protegiam os pedófilos que abusavam das crianças para proteger sua reputação e, de acordo com documentos descobertos no Vaticano, muitas vezes sabiam que os pedófilos atacavam em série.

Os investigadores afirmaram que testemunhos de vítimas, já adultos de 50 a 80 anos, demonstrou que o sistema de orfanatos e reformatórios irlandês tratava as crianças "como prisioneiros e escravos".

Os resultados apresentados pelo relatório divulgado nesta quarta-feira não poderão ser usados para processos criminais contra membros da Igreja Católica. Em 2004, a Irmandade Cristã conseguiu processar a Comissão de Inquérito sobre Abuso Infantil para que nenhum nome de agressores ou vítimas, mortos ou vivos, estivesse publicado no relatório.

12 mil indenizados

Até o momento, cerca de 12 mil vítimas já receberam indenizações do governo, segundo a  Comissão de Inquérito sobre Abuso Infantil , e outras duas mil seguem com processo para receber a compensação. Segundo a comissão, o governo já pagou quase um bilhão de euros em indenizações.

O relatório dilvugado nesta quarta-feira propõe 21 formas de o governo se redimir dos erros cometidos no passado, incluindo a construção de um memorial, um serviço de acompanhamento psicológico para as vítimas, muitas já aos 50 anos, e a melhoria dos serviços de proteção à criança na Irlanda.

No mês que vem será divulgado um outro relatório sobre supostos abusos de padres católicos em paróquias perto de Dublin, capital da Irlanda.

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