Os mercados da Europa registram alta nesta quarta-feira, seguindo um dia de indicadores no azul também na Ásia, com fortes altas nas principais bolsas da região. Às 11h de Londres (7h em Brasília), o índice MSCI World Index avançava 0,8% e sublinhava o ar otimista nas bolsas de valores.

Por volta das 7h20 em Brasília, o índice FTSE subia 0,04% em Londres, o CAC ganhava 0,3% em Paris e o DAX avançava 0,32% em Frankfurt.

A quarta-feira começou otimista na Ásia, em meio a especulações de que o pior momento de instabilidade desencadeada pela crise de crédito imobiliário na economia americana pode já ter passado.

O índice Hang Seng de Hong Kong fechou em alta de mais de 734 pontos, ou 3,18%, enquanto o SSE 50 de Xangai - que lista as 50 ações mais negociadas da bolsa - concluiu 1,15% no positivo.

Outros mercados da Ásia também registraram bons resultados. O Straits Times de Cingapura encerrou com mais 2,24% e o Nikkei 225 de Tóquio terminou com ganhos de 4,21%.

O Composite de Seul registrou ganhos de 2,35%, e em Taiwan o principal indicador fechou em alta de 2,20%.

Às 7h20 de Brasília o Sensex era negociado em alta de 0,78% em Mumbai.

"Os investidores estão se dando conta de que países emergentes são capazes de se desatrelar da economia americana", disse à BBC Brasil Manesh Samanti, vice-presidente da corretora KGI, que negocia papéis na bolsa de Hong Kong.

"O mercado está percebendo que, mesmo se as exportações para os Estados Unidos diminuírem, emergentes como a Rússia, países do Leste Europeu e até os próprios mercados domésticos terão a capacidade de absorver a produção da Ásia", acredita Manesh.

Wall Street
A alta nos mercados da Ásia segue a tendência observada na véspera em Wall Street, onde o índice Dow Jones fechou na maior alta do mês - 3,2%, um ganho de 391 pontos, para 12.654.

Na terça-feira, a bolsa de Nova York teve um bom resultado, refletindo o anúncio feito na véspera pelo secretário do Tesouro Americano, Henry Paulson, de planos de reformar o sistema financeiro nos Estados Unidos.

Os investidores viram com bons olhos a proposta de dar mais poder ao Banco Central Americano, o FED, para que a instituição desempenhe um papel estabilizador maior em momentos de incerteza.

Além disso, bancos anunciaram o que se acredita serem perdas finais com a crise do crédito imobiliário e que, segundo analistas, dão ares de epílogo à tempestade.

O banco suíço UBS informou ter perdido US$ 19 bilhões no primeiro trimestre deste ano com investimentos em derivativos de risco atrelados ao mercado imobiliário americano.

"Investidores acreditam que a crise nos Estados Unidos acabou", disse Francis Lun, gerente-geral da Fulbright Securities em Hong Kong.

A procura pelas ações do banco americano Lehman Brothers aumentaram depois que a instituição anunciou que iria levantar fundos em resposta a rumores de que estaria enfrentando problemas de liquidez.

Na terça-feira, o Lehman Brothers conseguiu captar US$ 4 bilhões em um lançamento de ações preferenciais, US$ 1 bilhão a mais do que o esperado.

Otimismo
O sopro de otimismo nos mercados ocorre após semanas de quedas, incerteza e previsões pessimistas.

Somente entre janeiro e março deste ano o índice Composite de Xangai já havia baixado mais de 3.472 pontos, o que representa retração de 34%, a maior perda trimestral dos últimos 15 anos.

Antes da guinada desta quarta-feira, o índice Hang Seng de Hong Kong também vinha demonstrando um desempenho fraco.

O índice registrou perdas de 17,85% nos primeiros três meses deste ano, a maior queda trimestral desde 2001.

No começo da semana, o Banco Mundial (Bird) divulgou estudo prevendo desaceleração média de 1,4 ponto percentual no crescimento do Produto Interno Bruto dos paises emergentes da Ásia em 2008.

Segundo a instituição, as economias asiáticas emergentes crescerão na média 7,3% neste ano, em contraste com os 8,7% registrados em 2007. Isso se deve em boa parte à retração nos Estados Unidos, informou o Bird.

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