Invasões de fazendas deixam 700 famílias sem lar no Zimbábue

Harare, 6 mar (EFE).- As famílias de pelo menos 700 trabalhadores de fazendas agropecuários foram obrigadas a deixar seus lares nas últimas três semanas, após uma nova onda de invasões sobre territórios propriedade de fazendeiros brancos, informou hoje a organização Coalizão pela Crise no Zimbábue (CZC).

EFE |

Segundo dados da União de Trabalhadores da Agricultura e Plantações "a maioria dos desalojamentos afetam mulheres e crianças", e grande parte deles aconteceram pouco após a formação do novo Governo de Unidade com a posse de Morgan Tsvangirai como primeiro-ministro, em 11 de fevereiro.

Enquanto Tsvangirai pediu publicamente o fim das ocupações ilegais das fazendas de brancos, estes apontam que a maioria dos invasores são seguidores do presidente, Robert Mugabe, e de seu partido, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), que já fizera um reforma agrária de cunho racial em 2000.

Mais de 100 dos 300 fazendas de propriedade de brancos que seguem funcionando no Zimbábue foram invadidas.

Na quarta-feira, a própria presidente do Senado, Edna Madzongwe, invadiu uma plantação de frutas cítricas de Peter Etheredge, segundo a associação rural Justiça para a Agricultura (JAG).

"Madzongwe estava acompanhada por mais 20 pessoas, entre elas quatro policiais, e seu porta-voz comunicou a Etheredge que ele deveria cessar toda a atividade na plantação", que produz 6 mil toneladas de frutas por ano e emprega cerca de 350 pessoas, informou a JAG.

Em seu primeiro discurso ao Parlamento, na quarta-feira, Tsvangirai afirmou que "aqueles que acham que podem se instalar em uma fazenda que não é de sua propriedade e roubar a colheita não têm razão".

"Todos aqueles que estiverem fazendo este tipo de atividade ameaçam acabar com a colheita desta temporada, estimada em US$ 150 milhões", acrescentou.

Desde que Mugabe impôs a controvertida reforma agrária em 2000, sob o critério racial de tomar os campos de cultivo dos brancos, mais de 4 mil fazendeiros foram forçados a abandonar suas terras.

A entrega das terras entregues a aliados sem experiência em produção agropecuária levou o antigo "celeiro da África" a mergulharem sua mais profunda crise de abastecimento e de fome, e à inflação, que é contada em milhões por cento ao ano. EFE rt/jp

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