As enchentes, as piores a atingir o país em 80 anos, também deixaram 1,6 mil mortos; na vizinha Índia, 115 morrem por chuvas

Paquistaneses tentam receber ajuda humanitária em Nowshera, no Paquistão, região afetada por enchentes
© AP
Paquistaneses tentam receber ajuda humanitária em Nowshera, no Paquistão, região afetada por enchentes
As autoridades paquistanesas anunciaram nesta sexta-feira que 12 milhões de pessoas foram afetadas pelas inundações no país, número quase três vezes maior do que o da última estimativa da ONU .

O presidente da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres (NDMA, na sigla em inglês), Nadeem Ahmed, explicou que esse cálculo se refere apenas às Províncias de Khyber Pakhtunkhwa e Punjab, sem incluir a região de Sindh, segundo o canal "Geo".

As inundações avançam agora rumo a Sindh, onde 500 mil pessoas foram retiradas das margens do rio Indo , segundo dados da ONU confirmados à Agência Efe por uma fonte oficial da província.

De acordo com a última estimativa da ONU, divulgada na quinta-feira, 1,6 mil morreram em todo o país por causa das inundações. A maioria das mortes foi registrada em Khyber Pakhtunkhwa, província castigada no ano passado pelos deslocamentos de centenas de milhares de pessoas por causa do conflito entre o Exército paquistanês e a insurgência da milícia islâmica Taleban.

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) fixou nesta sexta-feira como objetivo atender os 350 mil afetados pelas inundações considerados como "mais vulneráveis". O grupo também inclui refugiados da guerra no Afeganistão que ainda permanecem no Paquistão.

Em Punjab, milhares de pessoas fugiram de suas aldeias inundadas, caminhando descalças na água, sob chuvas torrenciais, com seus bens amontoados sobre burros e carroças. As autoridades temiam especialmente uma ruptura em algumas represas próximas à cidade de Kot Addu, uma zona já transformada em um lago gigante por causa das chuvas.

"Todos esses povoados se encontram atualmente em perigo. Importantes obras de infraestrutura estão ameaçadas", assinalou Manzoor Sarwar, chefe da polícia do distrito de Muzaffargarh, ao anunciar a retirada dos habitantes da zona.

Como medida de precaução, as autoridades suspenderam certas operações em algumas das centrais elétricas de Kot Addu e do noroeste, ameaçando uma parte do fornecimento de energia do país, que produz 80% da eletricidade de que necessita.

O chefe da Agência das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitário (Unocha) no Paquistão, Manuel Bessler, referiu-se à situação como uma "catástrofe maior". Os EUA prometeram uma ajuda de US$ 35 milhões às vítimas das inundações e indicaram que seis de seus helicópteros militares participam nas missões de resgate.

Muitas organizações de caridade muçulmanas, algumas delas suspeitas de ter vínculos com grupos armados islamitas, também se mobilizaram nas zonas afetadas.

Inundações na vizinha Índia

As fortes chuvas na região também provocaram inundações na vizinha Índia. Uma enxurrada de água deixou nesta sexta-feira pelo menos 115 mortos na cidade turística indiana de Leh e em seus arredores.

Uma chuva intensa que caiu por volta de meia-noite sobre a localidade de Choglamsar precipitou um corrente de água e barro sobre Leh, situada numa parte mais baixa, onde casas, prédios do governo, acampamentos militares e infraestruturas foram destroçados.

"Até agora, foram encontrados 115 corpos. Pelo menos 340 pessoas ficaram feridas e estão recebendo cuidados (médicos) em hospitais de Leh", assegurou à agência "Ians" Farooq Ahmad, inspetor-geral da Polícia do Estado indiano da Caxemira, no qual fica a região turística de Ladakh.

"Em Leh, estima-se que possa haver quase mil vítimas entre mortos e feridos", disse à Agência Efe por telefone o oficial do distrito de Kargil (vizinho do de Leh), Mohammad Hussain.

*Com EFE e AFP

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