Interpol emite ordem de captura contra opositor venezuelano

A Interpol (polícia internacional) emitiu nesta quinta-feira uma ordem de captura contra o líder opositor venezuelano Manuel Rosales, que está no Peru, onde aguarda resposta a um pedido de asilo político. A Interpol já tem um alerta de difusão vermelha (alerta máximo) para a captura de Manuel Rosales, afirmou o diretor da Polícia Científica da Venezuela (CICPC), Wilmer Flores, em entrevista coletiva.

BBC Brasil |

AP

Rosales concede entrevista em Lima, no Peru

"Qualquer país que tenha conhecimento da presença deste cidadão (Rosales) deve informar ao Estado venezuelano e colocá-lo à disposição das autoridades", disse Flores.

Rosales é acusado pelo Ministério Público de enriquecimento ilícito durante sua gestão como governador do Estado de Zulia. O Ministério Público afirma que Rosales não pode comprovar a procedência de US$ 68 mil em sua declaração de patrimônio relativa aos anos de 2002 a 2004.

O ex-candidato presidencial, no entanto, alega ser vítima de perseguição política por parte do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Em março, Rosales abandonou o cargo de prefeito de Maracaibo, a segunda maior cidade da Venezuela, e se refugiou no interior de Zulia, para preparar sua defesa.

Rosales deveria ter comparecido na segunda-feira a um tribunal venezuelano para responder a acusação de enriquecimento ilícito. No entanto, ele fugiu no início da semana para o Peru, acompanhado da família, e pediu asilo político no país.

A ordem de prisão contra Rosales foi emitida na quarta-feira. A juíza Reina Morandy Mijares, do Tribunal 19 de Controle, em Caracas, justificou a ordem de prisão. Ela afirmou, por meio de um comunicado, que Rosales "tem demonstrado não possuir vontade de se submeter ao processo, além do fato de que o mesmo não contribui com sua conduta à boa administração da Justiça e rapidez do processo".

Asilo

Na avaliação da Fiscal Geral do Ministério Público venezuelano, Luisa Ortega Díaz, o governo peruano não pode conceder asilo político a Rosales, porque o líder opositor está sendo acusado de corrupção e "não de delito político".

"Todos os Estados soberanos podem dar asilo político a qualquer pessoa, no entanto, a convenção sobre asilo entre Peru e Venezuela determina que esse mecanismo só deve ser ativado caso um cidadão cometa delito político", afirmou Díaz, em entrevista à televisão estatal.

O governo peruano pode demorar pelo menos duas semanas para responder se concederá ou não o asilo político a Rosales.

Mesmo antes da ordem de prisão, na terça-feira, o advogado de Rosales em Lima, Javier Valle-Riestra, adiantou que uma ordem de captura não era viável porque o líder opositor já havia solicitado asilo político. Valle-Riestra é congressista e foi primeiro-ministro durante o governo de Alberto Fujimori. Caso seja preso e condenado, Rosales pode pegar pena de três a dez anos de prisão, conforme prevê a Lei Anticorrupção.


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