Interpol coloca suspeitos de assassinato de dirigente do Hamas em lista de procurados

A Interpol colocou em sua lista de criminosos mais procurados os 11 suspeitos de participar do assassinato de Mahmoud al-Mabhouh, um líder militar do Hamas, em 19 de janeiro em Dubai.

iG São Paulo |

A agência internacional de polícia emitiu um alerta vermelho para os seus países-membros para a captura de "11 indivíduos procurados internacionalmente acusados pelas autoridades de Dubai pela coordenação e assassinato" de Mabhuh, fornecedor de armas do Hamas e um dos fundadores do braço armado do grupo. Ele foi encontrado morto no quarto de um hotel em 20 de janeiro.

As autoridades de Dubai emitiram na terça-feira mandados de prisão para os 11 suspeitos (10 homens e uma mulher). Todos tinham passaportes europeus válidos - um da França, três da Irlanda, seis da Grã-Bretanha e um da Alemanha.

A Interpol emitiu os avisos - que incluem fotografias - "para limitar a capacidade dos acusados de viajar livremente utilizando passaportes falsos".

Imagens divulgadas por Dubai identificam os suspeitos no assassinato de membro do Hamas
Imagens identificam os suspeitos no assassinato de membro do Hamas

Trabalho do Mossad

O chefe de polícia de Dubai afirmou nesta quinta-feira ter praticamente certeza de que o Mossad, o serviço secreto israelense, está por trás do assassinato do líder do Hamas. "Nossas investigações demonstram que o Mossad está envolvido no assassinato de Mahmoud Al-Mabhuh", disse o chefe de polícia, o tenente Dahi Jalfan.

O chefe de polícia de Dubai afirmou ainda que os passaportes europeus utilizados pelos 11 suspeitos de ter assassinado o líder do Hamas não são falsos . "Os oficiais dos serviços de imigração são treinados por especialistas de segurança europeus para detectar os passaportes falsos", afirmou Jalfan. "Aplicaram os procedimentos no aeroporto, no desembarque dos suspeitos e não detectaram nenhuma falsificação", disse.

Em uma entrevista ao jornal oficial Al Bayan, Jalfan prometeu revelar nos próximos dias novos indícios sobre o assassinato de Mabhuh.

Crise diplomática

Nesta quinta-feira, o embaixador de Israel, Ron Prosor, deve dar explicações no Foreign Office (ministério das Relações Exteriores britânico) sobre o uso de seis passaportes falsos deste país pelos supostos assassinos de Mabhuh. Londres anunciou também a abertura de uma investigação.

Israel espera evitar uma crise diplomática internacional em consequência das suspeitas sobre o Mossad.

Além da Grã-Bretanha, o Ministério das Relações Exteriores da Irlanda também convocou o embaixador israelense pelo uso de passaportes irlandeses falsos no caso.

O chanceler irlandês, Michael Martin, afirmou que o uso de passaportes falsos por parte dos suspeito do assassinato de Mabhuh é "um incidente extremamente sério". "Estamos fazendo perguntas muito diretas e buscando ajuda e esclarecimento. Queremos obter respostas o mais rápido possível", disse o ministro, para quem o incidente colocou em risco a segurança de cidadãos irlandeses.

A França também pediu explicações a Israel sobre a utilização de um falso passaporte francês no assassinato. "Pedimos explicações à embaixada de Israel na França sobre as circunstâncias da utilização de um falso passaporte francês no assassinato de um membro do Hamas em Dubai", disse o porta-voz do ministério, Bernard Valero.

As autoridades da República da Irlanda confirmaram que os números dos passaportes do país utilizados eram legítimos, mas afirmaram que eles não correspondiam aos nomes nos passaportes apresentados pela polícia de Dubai.

As autoridades francesas e alemãs também levantaram suspeitas sobre as identidades dos suspeitos com passaportes de seus países.

Investigação preliminar

Uma investigação preliminar feita pela agência da Grã-Bretanha para o combate ao crime organizado confirmou que as fotografias e as assinaturas dos passaportes britânicos usados pelos supostos assassinos não correspondiam às dos passaportes originais nos nomes utilizados.

Os seis britânicos-israelenses cujos nomes constavam dos passaportes apontados pela polícia de Dubai como sendo os dos assassinos de Al-Mabhouh negam qualquer envolvimento no crime.

Um deles, Stephen Daniel Hodes, de 37 anos, afirmou não ter saído de Israel nos últimos dois anos e se disse "chocado" com o caso. "Não sei quem está por trás disso. Estou com medo, essas são forças poderosas", disse ele a uma TV israelense.

Outro envolvido, o consultor de informática Melvyn Mildiner, de 31 anos, disse ao diário The Jerusalem Post: "Fui dormir com pneumonia e acordei assassino."

Paul John Keeley, cidadão britânico que se mudou para Israel há 15 anos e mora no kibutz (comunidade agrícola) Nahsholim, afirmou que vem se sentindo "como um zumbi" desde que descobriu seu nome na lista de suspeitos.

"Como uma coisa dessas pode acontecer? Sou um simples mecânico, o que querem de mim? As pessoas riem, mas eu não estou achando essa história engraçada", disse à imprensa local.

Circuito interno

O líder do Hamas foi morto em um quarto de hotel em Dubai. A polícia de Dubai divulgou imagens do circuito interno de TV do hotel que mostram os suspeitos disfarçados de turistas, usando perucas e barbas falsas.


Imagem do circuito interno do hotel mostra o líder do Hamas (de blusa preta)
sendo seguido por seu suposto assassino / Reuters

Segundo as autoridades locais, o trabalho "foi executado por um time profissional, altamente habilitado para esse tipo de operação". De acordo com alguns relatos, Al-Mabhouh estaria em Dubai para comprar armamentos para o Hamas.

Segundo a polícia, dois suspeitos palestinos que teriam fugido para a Jordânia também estariam sendo questionados sobre o assassinato.

* Com AFP e informações da BBC Brasil

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