Interpol alerta sobre risco de ataques se Alcorão for queimado

Em meio a protestos pelo mundo, organização adverte contra plano de pastor evangélico de queimar livro sagrado muçulmano no 11/09

iG São Paulo |

Em meio a protestos de muçulmanos em vários países do mundo, a organização internacional de cooperação policial Interpol lançou nesta quinta-feira um alerta global a seus 188 países-membros advertindo que existe uma grande possibilidade de ocorrer atentados por causa do plano de uma igreja evangélica dos EUA de queimar exemplares do Alcorão no sábado para marcar o nono aniversário dos ataques do 11 de Setembro. Os ataques lançados com aviões em Nova York, Washington e Pensilvânia deixaram quase 3 mil mortos.

A pedido das autoridades do Paquistão, o secretário-geral da Interpol, Ronald Noble, disse que advertiu aos Estados-membros que, "se o plano de queimar o Alcorão for realizado como está planejado, há forte risco de que acontecam posteriormente ataques violentos contra gente inocente". "Apesar de não haver detalhes específicos sobre que tipo de atentados terroristas poderão ocorrer, o que está claro é que, se o Alcorão for queimado, haverá consequências trágicas", afirmou Noble em uma declaração.

Uma advertência semelhante à da Interpol foi feita nesta quinta-feira pelo primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, que em comunicado afirmou que o plano pode estimular o ódio e aumentar a violência. A queima de cópias do Alcorão "pode ser usada como desculpa pelos radicais para aumentar seus ataques e contra-ataques", disse Maliki.

O alerta da Interpol foi lançado depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, ter feito uma apelo para o pastor Terry Jones, idealizador da queima do Alcorão, desistir de sua ideia. Segundo o líder americano, o ato contra o livro sagrado dos muçulmanos auxilia a rede terrorista Al-Qaeda a recrutar militantes . Assim como o comandante das forças americanas e internacionais no Afeganistão, o general David Petraeus, Obama advertiu que o projeto do pastor coloca em perigo os soldados estrangeiros no Afeganistão e Iraque.

Um dos primeiros sinais de que grupos radicais podem realizar atentados em vingança pela queima do Alcorão foi feita pela milícia islâmica somali Al-Shabab, ligada à rede terrorista Al-Qaeda. Durante um discurso em uma mesquita na capital da Somália, Mogadíscio, Fuad Mohamed Khalaf, o terceiro no comando da Al-Shabab, assegurou que será realizada uma "dolorosa vingança" contra os ocidentais "seguidores da igreja".

Segundo Khalaf, a luta que o grupo mantém na Somália para estabelecer um estado muçulmano radical corresponde a uma "guerra entre o Alcorão e a Bíblia", afirmando "a luta mundial da Al-Qaeda é entre cristãos e muçulmanos". "Ao planejar o 'Dia de queimar o Alcorão' nos EUA, (os cristãos) deixam claro que seus planos são a luta entre a igreja e a mesquita", disse.

Protestos muçulmanos

Milhares de afegãos protestaram nesta quinta-feira nas ruas de uma cidade a nordeste de Cabul, com frases contra os EUA e hostis aos cristãos, por causa do plano do pastor Jones.Também houve protestos no Paquistão, Índia e da comunidade muçulmana na Grã-Bretanha.

Os manifestantes afegãos, em sua maioria homens, ocuparam as ruas de Mahmud Raqi, na Província de Kapisa, nas imediações da base aérea americana de Bagram, informou o porta-voz do governo provincial, Abdul Halim Ayar. Eles gritavam "Abaixo os EUA" e outras frases antiamericanas e anticristãs. No início da semana, vários afegãos já haviam protestado em Cabul contra o plano.

No Líbano, o patriarca maronita, monsenhor Nasrallah Sfeir, disse que a ideia de Jones aprofundará ainda mais a divisão entre pessoas de diferentes religiões e culturas. Na Jordânia, o partido opositor mais importante, a Frente de Ação Islâmica, afirmou que a queima de cópias do Alcorão seria uma "declaração de guerra" contra o povo muçulmano. Para Bahrein, a ideia de Jones é um "movimento provocativo" e uma "afronta atroz" contra os países muçulmanos.

Sinal de recuo ?

Sob pressão após desencadear a polêmica mundial, o pastor evangélico Terry Jones, da Dove World Outreach Center, sugeriu nesta quinta-feira que poderia suspender seu plano se receber um pedido oficial do governo Obama. Ao jornal USA Today, ele afirmou que não foi contatado pela Casa Branca, o Pentágono ou o Departamento de Estado sobre a ideia de queimar os 200 exemplares do Alcorão.

"Se isto acontecesse, definitivamente voltaríamos a pensar. Isso é o que estamos fazendo agora. Não penso que uma ligação deles seja algo que queremos ignorar", disse Jones.

A declaração contradisse afirmações que fez na quarta-feira, quando reiterou que não voltará atrás. "Sentimos que essa mensagem é importante. Ainda estamos determinados a fazê-lo, sim", declarou à CBS. Ele disse que a mensagem da igreja é destinada aos radicais do Islã. "Queremos que eles saibam que, se estão na América, precisam obedecer nossas leis e Constituição e não empurrar lentamente a agenda deles sobre nós", completou.

*Com EFE e AFP

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