Internet vira campo de batalha para Israel e Hamas

A guerra entre Israel e o grupo radical islamita Hamas chegou à internet: no YouTube, o exército israelense mostra sua luta contra os terroristas do Hamas, que respondem no portal de divulgação de vídeos PalTube, denunciando os massacres cometidos pelas tropas israelenses em Gaza.

AFP |

Em um conflito que jornalistas estrangeiros não podem mais cobrir da Faixa de Gaza devido à negativa de Israel em autorizá-los a entrar no território, o controle das imagens e mensagens é tão importante quanto as operações militares.

Do lado israelense, a rede do exército denuncia no YouTube (www.youtube.com/user/idfnadesk), através de porta-vozes e imagens aéreas, que o Hamas é uma "organização terrorista" que usa civis como "escudos humanos" e usa as mesquitas para armazenar armas.

Já no PalTube (www.palutube.com), cujo servidor fica em Moscou, o Hamas afirma que "o holocausto sionista em Gaza", fazendo apologia a seu braço armado, as Brigadas Exxedin al-Qassam, e do "martírio".

Também é possível assistir transmissões ao vivo da rede Al-Quds, ligada ao Hamas, cuja base fica em Beirute.

"O inimigo será derrotado e se retirará", diz o PalTube, que funciona da mesma forma que o YouTube.

Um dos vídeos mostra um membro do Hamas enquanto lê seu testamento, antes de seguir para o combate em Gaza.

"Serei, se Deus quiser, o mártir Abdel Karim Said Wahba, da cidade de Lod, habitante do campo de refugiados de Nusseirat" (centro de Gaza), declara o homem, que exibe um lançador de foguetes e um fuzil de assalto com a bandeira verde do grupo radical ao fundo.

Outro vídeo, postado por um usuário chamado "Al-Qanas" (o franco-atirador), mostra disparos de foguetes contra Israel em imagens tiradas do canal oficial do Hamas, a TV Al-Aqsa.

A rede do exército israelense no YouTube é mais sóbria. Além dos porta-vozes que justificam seus ataques contra o Hamas, um vídeo mostra documentos do grupo radical islâmico encontrados por soldados em uma missão no norte de Gaza.

"Recorremos a uma plataforma muito popular para explicar as posições do exército para o mundo e ilustrar as práticas dos terroristas do Hamas, que usam civis como escudos humanos", indica o capitão Ishai David, um dos porta-vozes das forças israelenses.

Em duas semanas, o vídeo foi visto 1,4 milhões de vezes.

Segundo Jerome Bourdon, sociólogo e membro do departamento de Comunicação da Universidade de Tel Aviv, Israel e Hamas usam "um meio muito moderno para, no fim das contas, aplicar uma estratégia clásica: a propaganda".

"É um fenômeno no auge. Todo mundo, inclusive instituições mais conservadoras, pensam no YouTube", acrescentou, afirmando que seu uso "permite, dos dois lados, mobilizar as tropas e aumentar seu moral".

mel/ap

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