Internet será arma de arrecadação e não exposição para Obama

Campanha por reeleição buscará arrecadar US$ 1 bilhão e convencer eleitorado fora da 'esfera virtual'

Marsílea Gombata, iG São Paulo |

Apesar de ter escolhido a internet para dar o pontapé inicial na sua campanha à reeleição em 2012, o presidente americano, Barack Obama, deverá utilizar a plataforma virtual mais para arrecadar doações e menos para promover a candidatura.

De acordo com especialistas ouvidos pelo iG , o presidente democrata manterá o foco em sua árdua tarefa de levantar fundos - a intenção é conseguir ao menos US$ 1 bilhão - e estará menos voltado a estratégias de apelo via internet, como foi em sua campanha anterior.

Para o especialista em eleições americanas Bruce Cain, Obama o objetivo é ampliar o feito conquistado há três anos: dos US$ 745 arrecadados 87% foram via internet. “Será um mecanismo-chave para as doações. E acredito que, com a era do YouTube com os dias contados e o tom na web sendo mais agressivo do que o da propaganda televisiva, a tendência é ele depender menos da internet para conquistar eleitores”, avaliou.

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Obama após pronunciamento em Nova York. Presidente americano luta contra o relógio para melhorar índices econômicos
Hoje como presidente e candidato, Obama deverá ter trabalho em dobro e os obstáculos serão muito maiores que em 2008. “Não se ganha com jovens mobilizados na rede, que representam uma pequena parcela do eleitorado, mas sim com o americano médio, preocupado com desemprego e economia”, observa a especialista em política americana Cristina Pecequilo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “O desafio do Obama não será conquistar o democrata fiel, mas sim o eleitor que votou nele confiando que sua vida mudaria para melhor. Assim, será uma campanha mais focada nas realizações de seu governo, em que ele terá de apresentar resultados”.

Mudança

Com o nível de animação bem abaixo do que na corrida eleitoral de 2008, a principal bandeira de Obama estará fora de cena. Em vez de “mudança”, o presidente americano terá de convencer o eleitorado de que sua permanência na Casa Branca será a melhor opção para os EUA. E o cenário não é muito animador. Segundo pesquisa do Gallup de janeiro, apenas 3 em cada 10 americanos estão satisfeitos com o esforço de Obama para trazer mudanças ao país que ainda se recupera da crise econômica e enfrenta taxa de desemprego de 8,8%.

“O maior problema de concorrer à reeleição agora é o baixo entusiasmo”, observou Cain. Segundo ele, a maioria dos eleitores democratas estava animado com as perspectivas de mudança em 2008, mas nos últimos dois anos, houve frustração com a alta taxa de desemprego entre jovens, a falta de apoio à comunidade gay para o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O adiamento na aprovação de reformas como a da saúde e a migratória também entram no rol das decepções.

De acordo com análise do jornal americano The New York Times, a missão de Obama em 2012 é bem diferente da enfrentado pelo senador democrata que, há quatro anos, daria fim à administração (de George) Bush. Hoje, Obama tem de confrontar altos custos que a reforma da saúde pode acarretar, uma economia com sinais de fraqueza, um país dependente de petróleo estrangeiro e guerras custosas ao bolso do contribuinte americano. “Agora, Obama tem de defender suas próprias guerras impopulares, uma economia em frágil recuperação e políticas fiscais que levaram ao ceticismo”.

Adversários

Apesar de nomes republicanos especulados para fazer frente a Obama - como a ex-candidata a vice de John McCain, Sarah Palin, o ex-governador de Massachussetts Mitt Romney, o ex-governador de Minnesota Tim Pawlenty, o ex-governador do Arkansas Mike Huckabee, ou Michele Bachmann, fundadora do cáucaso do movimento Tea Party na Câmara -, o maior adversário do presidente americano acaba sendo a economia do país. Se os números do desemprego continuarem a aumentar, observou Cain, isso será um indicativo também para Obama.

Da mesma opinião compartilha Charles Henry, da Universidade de Berkeley, na Califórnia. “Alguns apostam que Obama levantará US$ 1 bilhão em doações, e não creio que a má economia limitará tais contribuições. Mas se a economia não apresentar considerável melhora, sua reeleição pode estar ameaçada”, avaliou.

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