Internet pode redefinir campanha de 2010, diz estrategista de Obama

O uso de ferramentas da internet como comunidades virtuais, blogs e microblogs (twitter) entre outras pode redefinir o formato das próximas eleições no Brasil. A opinião é de Scott Goodstein, um dos principais estrategistas da campanha presidencial de Barack Obama na internet em 2008.

BBC Brasil |

"A comunicação está mudando e as pessoas estão mais engajadas na interação de mão-dupla do que na comunicação de uma mão só. Eu acho que a mídia social é uma parte crescente do discurso político e pode ser usada para definir o formato do debate político nas próximas eleições no seu país", disse Goodstein à BBC Brasil.

Na opinião de Goodstein, uma das principais consequências do uso das ferramentas será permitir aos eleitores que participem da construção dos discursos de campanha e influam no processo eleitoral de uma maneira que não era possível no passado.

"Meus pais levavam semanas ou meses para conversar sobre política com amigos e familiares. Agora, por meio de e-mails, blogs, comunidades virtuais, nós podemos nos comunicar com amigos e parentes de uma maneira muito rápida", argumenta.

Vantagens
Boa parte dos recursos a que Goodstein se refere já estavam disponíveis em eleições passadas. Mas, pela primeira vez, elas poderão ser usadas livremente pelos candidatos, nas eleições de 2010, graças à lei eleitoral sancionada na terça-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por meio desses recursos, as campanhas vão poder abastecer seus eleitores mais militantes de informações e argumentos que depois também são redistribuídos aos membros das comunidades virtuais de que eles participam.

Além da redução do custo da distribuição, Goodstein afirma que a estratégia tem uma outra vantagem para os políticos que fazem uso dela: a mensagem política chega às pessoas por meio de interlocutores "em quem elas confiam".

"Você está habilitando as pessoas a levarem a sua mensagem para amigos e parentes. É uma coisa muito diferente de apenas colocar um anúncio na TV ou divulgar um comunicado à imprensa e esperar que as pessoas venham a você."
Goodstein diz que as ferramentas não "vão ganhar a eleição sozinhas, mas são um boa parte do diálogo que você trava com seus eleitores".

Transparência
Segundo Goodstein, o uso dessas ferramentas de comunicação interativa nas eleições dos Estados Unidos no ano passado permitiu que a campanha de Obama reagisse às mensagens e às informações que a equipe do candidato recebia dos eleitores.

"A campanha de Obama tratou com seriedade os rumores que circulavam por e-mail e pode enfrentá-los e dizer às pessoas o que era verdade e o que não era", conta.

Mas, na opinião de Scoot Goodstein, esses recursos só são eficientes se usados com "transparência".

"Há tanto marketing e anúncios publicitários por aí que, se o seu candidato for usar uma comunidade virtual, isso não pode ser visto pelas pessoas apenas como uma ferramenta de marketing. Tem de ser completamente transparente e autêntico."
Goodstein já esteve no Brasil em agosto e estará de volta para participar do seminário de comunicação política "O Efeito Obama no Brasil", promovido pela Universidade George Washington, em São Paulo nos dias 15 e 16 de outubro.

Ele é cotado como um possível reforço para a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef (PT), à Presidência.

O estrategista confirmou à BBC Brasil que tem conversado com empresas de comunicação política no Brasil, mas que ainda não há nada fechado.

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