Internet é proibida durante campanha eleitoral no Japão

Jairo Mejía. Tóquio, 29 ago (EFE).- Na era das redes virtuais sociais, como o Twitter e o Facebook, e dos blogs, os 1,374 mil candidatos japoneses que concorrerão aos cargos nas eleições que serão realizadas no domingo estão proibidos de pedir votos pela internet, devido a uma lei eleitoral aprovada há 59 anos.

EFE |

No dia 17 de agosto, um dia antes do início da campanha eleitoral, os políticos japoneses se despediram de seus seguidores internautas e divulgaram seus últimos vídeos e mensagens, para não descumprirem o ambíguo artigo que proíbe o uso de "literatura e imagens" durante o período.

"Hoje deixo de usar meu Twitter, embora não esteja de acordo com esta norma", diz a última mensagem de Seiji Ohsaka, membro do opositor Partido Democrático (PD), em seu perfil na popular rede social.

Até o domingo à noite, os candidatos não poderão utilizar seus perfis em redes sociais virtuais e terão, inclusive, limites para comunicar-se por e-mail.

A norma é tão extrema, que até as páginas oficiais dos candidatos não podem ser atualizadas durante os 12 dias de campanha, que termina amanhã, um dia antes das eleições.

As limitações para fazer campanha na internet abriram espaço para outros tipos de manifestações, muitas vezes com mensagens negativas, com fortes criticas ao oponente.

O governante Partido Liberal-Democrata (PLD), que segundo as enquetes perderá as eleições pela primeira vez em 54 anos, criou dois vídeos de animação que tiveram cerca de um milhão de visitas no Youtube.

Um deles mostra um casal jantando em frente ao Parlamento japonês, que tem o irônico nome de Dieta. O homem, muito parecido com o líder do opositor, Yukio Hatoyama, diz a sua mulher que será feliz quando se casar com ela, que pagará a educação das crianças e sua aposentadoria.

"Mas, como?", pergunta a mulher. "Já veremos, quando estivermos casados", responde o desenho.

Com estes anúncios, dentro da lei pela sutileza do roteirista, o PLD pretende reforçar a ideia que transmitiu em seus debates televisivos de que não é fiador.

O método tradicional de fazer política com alto-falantes, carros eleitorais e aparições do candidato na saída do metrô em plena hora do rush mudou nos últimos anos e, segundo o jornal "Asahi", mais de 90% dos parlamentares japoneses têm site pessoal.

Neles, os políticos se aproximam de seus eleitores através de troca de mensagens ou, como Kan Suzuki do PD, através de seu próprio canal de televisão na internet.

Segundo os analistas, há uma mudança fundamental no modo de se fazer campanha nestas eleições. Não há a participação do carismático Junichiro Koizumi, artífice da maior vitória do PLD em eleições desde 1986, e nenhum dos candidatos conseguiu atrair a atenção da mídia como ele.

Agora, os candidatos necessitam recorrer a novas técnicas, enquanto os canais de televisão reduziram à metade o tempo de aparição dos políticos, para não serem considerados partidários, como aconteceu com Koizumi, segundo o "Asahi".

Apesar dos limites impostos, o eleitorado jovem viu na internet um recurso para se fazer ouvir em eleições que coincidem com um ano ruim para a segunda maior economia do mundo.

O PD prometeu que, se chegar ao poder, mudará a lei e permitirá doações através da internet. EFE jmr-yk/pd

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