Intensos combates em Beirute deixam 11 mortos e aumentam força do Hezbollah

Pelo menos 11 pessoas morreram desde quinta-feira nos violentos combates em Beirute, que atingiram níveis de autêntica guerra aberta entre partidários do governo e a oposição liderada pelo movimento islâmico Hezbollah, que já tinha controlado o oeste da capital.

AFP |

Uma autoridade dos serviços de segurança declarou à AFP que os combates entre militantes da oposição e o governo libanês haviam sido interrompidos em Beirute, depois que os combatentes do Hezbollah tomaram o controle do oeste da capital.

"Já não há combates, pois ninguém enfrenta os combatentes da oposição", declarou esta autoridade, que pediu anonimato.

O Exército e as forças de segurança interna libanesas estão mobilizadas nas regiões controladas pela oposição.

Como mostra do aumento da violência, um foguete atingiu um muro da residência do líder Saad Hariri, líder da maioria parlamentar anti-síria, situada em Koraytem (oeste de Beirute), sem deixar vítimas.

Além do aeroporto internacional de Beirute praticamente paralisado, o porto da capital foi fechado nesta sexta-feira por causa dos combates.

A Arábia Saudita, que apóia o governo de Fuad Siniora, pediu uma reunião de emergência dos ministros árabes das Relações Exteriores sobre o Líbano.

O presidente israelense, Shimon Peres, acusou nesta sexta-feira o Irã de estimular os problemas no Líbano, em sua tentativa de "reinar em todo o Oriente Médio".

O presidente sírio Bachar al-Assad declarou que a grave crise no Líbano é "um assunto interno" e manifestou o desejo de que os libaneses cheguem a "uma solução por meio do diálogo".

Os combates, sem precedentes desde o final da guerra civil em 1990, prosseguiram, apesar dos apelos por calma da comunidade internacional e de uma forte mobilização do Exército libanês.

Os confrontos são entre grupos armados dos movimentos xiitas da oposição, liderada pelo Hezbollah e apoiada por Síria e Irã, e partidários da Corrente do Futuro, o partido do sunita Saad Hariri, filho do ex-primeiro-ministro assassinado em 2005, Rafic Hariri.

Os militantes armados da oposição liderada pelo Hezbollah controlavam nesta sexta-feira bairros considerados redutos da formação sunita que apóia o governo, segundo testemunhas.

Membros dos movimentos xiitas Hezbollah e Amal se posicionaram em bairros sunitas do oeste da capital, como Zarif, Malla, Zokak el-Blat, Khandak el-Ghamik e Aicha Bakkar.

Violentos enfrentamentos foram registrados no distrito misto, sunita, xiita e cristão, de Hamra.

O Hezbollah fechou também nesta sexta-feira à força todos os meios de comunicação da família do líder da maioria anti-síria, Saad Hariri.

As redes Future TV, Future News, o jornal al-Mustaqbal e a Radio Orient "foram fechadas e ficaram sob controle do Exército, após terem recebido ameaças de homens armados do Hezbollah", explicou um diretor, que solicitou o anonimato.

Os confrontos se intensificaram após um discurso na quinta-feira do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, que considera uma "declaração de guerra" as decisões do governo contra uma rede de telecomunicações instaurada por seu movimento no país.

As imprensas libanesa e árabe alertaram para o retorno da guerra civil que devastou o Líbano de 1975 a 1990, temor reavivado pela grave crise política em que o Líbano está mergulhado desde novembro de 2006, pois a maioria e a oposição não chegam a um acordo para dividir o poder.

Esta crise impediu a eleição de um presidente da República, posto vago desde novembro de 2007.

A maioria acusa a Síria, antiga potência tutelar, e o Irã de bloquearem uma solução por meio de seus aliados, enquanto a oposição critica a coalizão no poder de obedecer os Estados Unidos.

bur/dm/fp

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