Intensificação de ofensiva israelense aumenta procura por abrigo em Gaza

Saud Abu Ramadan. Gaza, 13 jan (EFE).- Dezenas de milhares de pessoas já deixaram suas casas na Faixa de Gaza em busca de abrigo em escolas e casas de amigos ou parentes, dado o avanço das tropas israelenses e a impossibilidade de os palestinos abandonarem o cercado e pequeno território.

EFE |

"Sentimos a cada instante que vamos morrer", disse Abu Ibrahim Al-Hissi em meio ao som dos bombardeios em uma escola administrada pela agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA, na sigla em inglês) em Shati, na Cidade de Gaza.

Abu Ibrahim está no centro de ensino com a família porque, há seis dias, um tanque israelense destruiu sua casa no campo de refugiados de Beit Lahia, no norte da faixa.

Como ele, outros 28 mil palestinos buscaram abrigo em algum dos 36 refúgios de emergência improvisados pela UNRWA desde que, em 27 de dezembro, Israel iniciou sua ofensiva contra Gaza, explicou Francesc Claret, porta-voz da agência para os refugiados palestinos.

No entanto, nos centros da UNRWA só há um terço dos mais de 80 mil palestinos - metade deles crianças - que abandonaram suas casas durante a ofensiva, que já matou 900 palestinos e deixou 4,1 mil feridos, segundo cálculos de ONGs locais.

Muitos civis se mudaram para a casa de algum amigo ou parente, numa prova de que, nos territórios palestinos, as redes de solidariedade mostram-se fundamentais nos momentos de dificuldade.

"É muito difícil saber o número real (de pessoas que deixaram suas casas), mas este provavelmente é bem maior (que o calculado), pois muitos não comunicam seus movimentos", declarou Claret.

O que as famílias deslocadas buscam é um lugar menos perigoso diante dos bombardeios por terra, céu e mar, e do avanço das tropas e tanques israelenses pela faixa territorial, de 40 quilômetros de comprimento por 10 de largura, da qual é praticamente impossível sair.

Em Gaza, os palestinos não têm a opção de fazer as malas o mais rápido possível e cruzar a fronteira para se tornarem refugiados em outro país, como acontece em outras regiões de conflito do planeta.

Apesar de o território fazer divisa com Israel e Egito, ambos mantêm fechadas suas passagens fronteiriças, o que faz da faixa quase uma gaiola, na qual, para agravar ainda mais a situação, faltam luz e água.

Até mesmo nos refúgios da UNRWA as condições de vida são duras.

"Estamos sem água, energia e combustível, e faz muito frio. A situação é muito difícil", declarou Abu Ibrahim.

O porta-voz da UNRWA reconhece a "falta de material" (principalmente cobertores, colchões, pão e carne enlatada) e que "em alguns centros" a temperatura "está a 0°C".

Na escola Al-Fajura, no campo de refugiados de Jabalya, Falman Ad Esalman pede "aos seres humanos que governam Israel" que também tratem os habitantes de Gaza "como seres humanos".

Há poucos dias, Esalman perdeu três de seus filhos - de 15, 10 e 7 anos de idade - quando uma bomba israelense caiu sobre sua casa em Jabalya.

"Vim aqui porque não tenho outro lugar para onde ir. Não nos resta nada. Algumas pessoas nos deram comida e roupa. Eu rezo para Alá dia e noite para que isto acabe. Israel nunca conseguirá acabar com o Hamas e vice-versa. Já chega, por favor!", implorou.

Al-Fajura era vista como um dos poucos lugares seguros em Gaza, até que, na semana passada, foi alvo de três projéteis israelenses, que mataram cerca de 30 civis.

A escola foi atingida quando o Exército de Israel tentava lançar um míssil de precisão contra uma plataforma de lançamento de foguetes a cerca de 30 metros de distância. Porém, devido a uma falha técnica, o comando militar optou por disparar bombas guiadas por GPS, muito menos precisas e que causaram a tragédia, segundo uma investigação militar preliminar revelada pelo jornal israelense "Ha'aretz".

"Depois do ocorrido, muita gente não se atrevia a ir para nossos refúgios. Achavam que não eram seguros. Nos últimos dias, começaram a vir de novo e, de fato, prevemos que o número de deslocados aumentará, sobretudo se Israel intensificar sua ofensiva", advertiu Claret. EFE sar/sc

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