Intelectuais de Cuba fazem críticas, mas elogiam as reformas

HAVANA- Em um congresso realizado em Cuba, intelectuais da ilha criticaram muitos dos problemas do sistema socialista de governo e aplaudiram as reformas adotadas pelo presidente Raúl Castro. Ao mesmo tempo, eles pediram maior debate, dizendo que o país avança rumo a um novo destino.

Reuters |


Alguns dos delegados presentes no congresso da Uneac defenderam também o combate aos traços de 'racismo' e de 'discriminação' contra os homossexuais, que ainda persistem na sociedade cubana.

Os delegados do congresso da União de Escritores e Artistas de Cuba (Uneac), que termina na sexta-feira em Havana, lançaram-se contra a 'banalidade' dos programas televisivos e pediram 'respostas' para os problemas dos dias de hoje.

O encontro de intelectuais contou com uma ampla cobertura dos meios de comunicação estatais e se realizou em um momento no qual o novo governo cubano, no poder desde fevereiro, promove mudanças na ilha, como permitir que a população compre celulares e eletrodomésticos e se hospede em hotéis antes reservados aos estrangeiros.

'Vamos nos preparar para o novo destino do nosso país', afirmou o historiador Eusebio Leal, em um discurso que arrancou aplausos dos ouvintes.

Leal elogiou as mudanças promovidas por Raúl após ter substituído seu irmão, Fidel Castro, que governou a ilha por quase cinco décadas.

'A cada dia, as notícias que nos chegam são animadoras. E isso não é, como dizem nossos inimigos mortais, um tema secundário', sublinhou.

'Que bom que podemos ter telefone (celular), que isso seja legal', disse o historiador, emocionado, enquanto mostrava um pequeno aparelho que levava no bolso da camisa.

'Todos nós estamos esperançosos. Por quê? Porque o país assume efetivamente que aquilo antes inconveniente ou imprudente é hoje necessário', acrescentou.

Reivindicações

Os intelectuais elogiaram ainda as mudanças no setor agrícola promovidas por Raúl, incluindo uma maior descentralização das decisões, assim como preços melhores para as colheitas e uma nova forma de dividir a terra entre as famílias de agricultores.

'Será bom ver cumprido o preceito segundo o qual 'que seja tua a terra na qual trabalhas, como é teu o teu amargo suor!'', afirmou Leal.

O congresso dos intelectuais abordou ainda o velho dilema do mais de 1 milhão de cubanos, muitos deles artistas, que emigraram da ilha por motivos diversos.

'O êxodo artístico não cessa e se faz acompanhar muitas vezes do desterro também da obra dos que emigram, o que no longo prazo mutila nossa realidade cultural', afirmou o intelectual Cintio Vitier.

Vitier pediu que as autoridades cubanas resolvam os problemas levantados pelo congresso, entre os quais os obstáculos internos ao desenvolvimento, os problemas salariais e o sistema duplo de moeda, causas às vezes da emigração de cubanos.

O vice-presidente de Cuba, Carlos Lage, disse aos intelectuais que acompanhou os debates do congresso e compreende e compartilha a impaciência de todos.

'A dupla moral, as proibições, uma imprensa que não reflete nossa realidade, como queremos, uma desigualdade indesejada, uma infra-estrutura deformada, são as feridas de uma guerra', declarou Lage.

As mudanças na ilha até agora:


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