Novo ataque - o quarto em seis dias - deixa um morto e danifica caminhões que levavam combustível para tropas no Afeganistão

Homens armados atacaram e incendiaram nesta quarta-feira 25 caminhões-tanque das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Paquistão, o quarto ataque deste tipo em seis dias.

Segundo a polícia paquistanesa, cerca de 14 homens atacaram os veículos no raiar do dia na cidade de Quetta, abrindo fogo contra os motoristas e ateando fogo aos caminhões. Um motorista morreu no ataque, que ocorreu por volta das 6h (horário local).

Os veículos levavam combustível para as forças da Otan no Afeganistão. Segundo uma fonte policial, 11 caminhões ficaram totalmente carbonizados, enquanto outros 14 sofreram danos na cabine.

Porta-vozes do Taleban no Paquistão dizem ter realizado o ataque em resposta às ações americanas de bombardear áreas tribais paquistanesas usando aviões não-tripulados.

Bombeiro tenta conter fogo em caminhões da Otan, após ataque na cidade de Quetta
AP
Bombeiro tenta conter fogo em caminhões da Otan, após ataque na cidade de Quetta

Na última segunda-feira, um míssil atribuído ao Exército americano matou oito pessoas no Waziristão do Norte, na fronteira paquistanesa com o Afeganistão, onde acredita-se haver uma forte presença de militantes extremistas islâmicos.

Só no último mês foram registradas 26 ações semelhantes, a maior média mensal de ofensivas com aviões não-tripulados no Paquistão nos últimos seis anos. Os mísseis teriam como alvo militantes da Al-Qaeda que, por sua vez, estariam por trás de planos de atentados em solo europeu.

No fim de semana, diversos governos, entre eles os de EUA e Grã-Bretanha, haviam alertado para a possibilidade de atentados "de forma indiscriminada" na Europa, inclusive em lugares frequentados por estrangeiros e turistas.

O Departamento de Estado dos EUA confirmou que as ações no Waziristão do Norte são decorrência dessas supostas ameaças de atentados em alvos ocidentais.

"A atividade que estamos vendo no Waziristão do Norte, de ofensivas contra a Al-Qaeda e grupos associados, está ligada aos alertas de terrorismo", disse o embaixador do Paquistão nos EUA, Hussein Haqqani

Inteligência

A partir de inteligência coletada por agentes ocidentais ou paquistaneses, disse ele, os EUA teriam identificado a localização de extremistas nas áreas tribais do Paquistão. Uma fonte disse que um cidadão alemão detido no Afeganistão havia dado aos EUA informações a respeito de uma célula militante formada por outros alemães, que planejavam ataques na Grã-Bretanha, na França e na Alemanha.

É crescente a preocupação com a presença de extremistas europeus nas áreas tribais paquistanesas. Segundo a mídia alemã, diversos militantes islâmicos desapareceram de suas casas em Hamburgo em 2009 e foram para o Waziristão do Norte.

Na segunda-feira, o Ministério do Interior em Berlim disse que 70 cidadãos alemães haviam recebido treinamento paramilitar no Afeganistão e no Paquistão e que um terço deles havia voltado para casa.

Em setembro, um cidadão britânico foi morto por um míssil não-tripulado na zona tribal. Acredita-se que ele também estava sendo treinado para liderar um ataque da Al-Qaeda na Grã-Bretanha.

Na terça-feira, a polícia da França prendeu 12 pessoas no sul e sudoeste do país sob suspeita de ligação com extremistas islâmicos.

Com EFE, Reuters e BBC

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