Insulza chega a Honduras em meio a grandes manifestações

José Luis Paniagua. Tegucigalpa, 3 jul (EFE).- O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, chegou hoje a Tegucigalpa, em uma dia em que os seguidores e opositores ao presidente deposto Manuel Zelaya protagonizaram as manifestações mais numerosas desde o início da crise.

EFE |

Insulza chegou ao meio-dia ao aeroporto Toncontín, na capital hondurenha, a bordo de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e em meio a fortes medidas de segurança.

Sem dar declarações à imprensa, se dirigiu imediatamente à sede da Suprema Corte.

Sua reunião com o presidente da instituição, Jorge Rivera, durou mais de uma hora e foi o primeiro ponto da agenda de uma visita que inclui deputados e representantes de setores sindicais e da sociedade civil, de acordo com fontes diplomáticas.

Insulza quer que as autoridades que estão no poder desde o golpe de Estado contra o presidente Zelaya, no domingo passado, "mudem o que estão fazendo" até agora e "encontrem maneiras de retornar à normalidade", em um país imerso em uma profunda crise política, desde então.

Zelaya foi detido e expulso do país pelos militares no domingo, e no mesmo dia o Congresso o destituiu e nomeou Roberto Micheletti em seu lugar.

Depois da chegada de Insulza, o novo chanceler, Enrique Ortez, declarou à imprensa local que a presença do secretário-geral implicava "um reconhecimento" do Governo de Micheletti, ao ressaltar que "o mundo sabe que (o secretário) está em Honduras e protegido pelo Governo" que controla o poder desde domingo.

Ortez também declarou hoje à Agência Efe que se Insulza veio "para exigir a restituição do presidente Manuel Zelaya, é melhor que não venha", porque isso "não é negociável".

Insulza não deve se reunir com o novo presidente, segundo antecipou, na quinta-feira, o próprio Micheletti, quem, no entanto, manifestou sua predisposição a fazê-lo.

Enquanto isso, e em um clima de maior agitação nas ruas que em dias anteriores, milhares de seguidores e opositores a Zelaya se juntaram em grandes manifestações.

Cada um dos grupos conseguiu juntar entre 10 mil e 15 mil pessoas, que tomaram as ruas de forma pacífica, no primeiro dia em que ambos foram capazes de convocar a população em massa.

Até hoje, Zelaya só tinha conseguido reunir algumas centenas de seguidores, enquanto os partidários do novo Governo tinham reunido aproximadamente cinco mil pessoas, na terça-feira.

Micheletti liderou uma mobilização contra Zelaya, em frente à Casa Presidencial, com cartazes de apoio ao presidente e lemas como "estamos com a paz e a democracia" e "viva a constituição".

"Isto não é um golpe, isto não é um golpe", gritou Micheletti com o resto de manifestantes, aos quais agradeceu pelo apoio à "sucessão constitucional".

Os seguidores de Zelaya marcharam pelas ruas próximas à sede do Governo, mas evitaram outra manifestação e, de maneira pacífica, se dirigiram rumo à sede da OEA, para apoiar os grêmios e as organizações que devem reunir-se hoje com Insulza.

As pessoas aguardaram com cartazes que diziam "Queremos Mel (Zelaya) já", "Gorilas saiam do poder" e "Seja bem-vindo Insulza, obrigado por restituir Mel como presidente".

Paralelamente, a vencedora do prêmio Nobel da Paz 1992, Rigoberta Menchú, chegou hoje a Tegucigalpa para acompanhar organizações defensoras dos direitos humanos de Honduras.

Rigoberta afirmou que espera ficar "o tempo suficiente" no país e que está aberta a conversar "com todos os que se aproximarem", embora tenha evitado dar mais detalhes, até que dê alguma entrevista. EFE jlp/pd

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