Instituto Cervantes apresenta anuário e Brasil é destaque no ensino do idioma

Madri, 27 jan (EFE).- Mais de 5 milhões de brasileiros estudam espanhol no Brasil, conforme o Anuário 2009 - o espanhol no mundo que foi apresentado por diretores do Instituto Cervantes, quantia cinco vezes superior ao último levantamento, feito em 2006, quando 1 milhão de pessoas aprendendo o idioma no país.

EFE |

Atualmente, o número de 5 milhões refere-se a estudantes do ensino primário ao universitário.

Os dados correspondentes ao Brasil são sem dúvida os melhores do estudo que foi apresentado hoje pela diretora Carmen Caffarel e pelo diretor acadêmico Francisco Moreno, do Cervantes, instituição que conta com 74 centros em 44 países.

Após a aprovação em 2005 de uma lei obrigando o ensino do espanhol em escolas públicas de ensino médio, diferentes estatísticas apontam que 2,4 milhões de alunos estudam espanhol no país e estimam que, no ensino fundamental, a quantia pode ser "superior", embora não existam dados exatos.

Após a aprovação da "Lei do espanhol" os cálculos indicavam a necessidade de 200 mil professores do idioma no Brasil, mas a realidade demonstrou que a estimativa era exagerada, porque o Anuário 2009 apontou a necessidade "de 12 mil" docentes.

O relatório analisa também a situação do espanhol e suas perspectivas de crescimento na Rússia e na África Subsaariana, duas regiões geográficas de especial interesse.

Sobre a Rússia quase não há estatísticas oficiais, mas o Anuário do Instituto Cervantes estima "20 mil estudantes de espanhol pertencentes aos diferentes níveis educativos".

Com 300 páginas, o documento aborda outras questões relacionadas à língua espanhola e a cultura hispânica, assim como com o próprio Instituto Cervantes, que em 2009 comemorou 18 anos e o 25º aniversário da especialidade do Espanhol como Língua Estrangeira.

Em agosto passado, Espanha e Brasil assinaram um acordo de colaboração para que 41 milhões de brasileiros entre sete e 17 anos possam ler e expressar-se na língua nos próximos anos.

O acordo, assinado pelo Instituto Cervantes e o Ministério da Educação do Brasil na presença da primeira vice-presidente do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, prevê a colaboração do Cervantes na formação de professores de espanhol.

O anuário começou ser feito em 1998 para impulsionar as pesquisas sobre o espanhol e seu papel como língua internacional, e nesta nova edição constam dados sobre a Rússia, onde existem pelo menos 20 mil estudantes do idioma.

A força da Espanha como destino turístico e "sua atração como potência cultural" influenciaram no crescimento nos últimos anos, mas a obrigatoriedade no ensino médio da oferta de inglês, alemão, francês e espanhol contribuiu para essas perspectivas, já que a legislação "não está ainda na plenitude", afirmou Caffarel.

"Acredito que pode ocorrer algo similar ao do Brasil", acrescentou a diretora do Cervantes, para quem é importante que o espanhol ocupe a quarta posição como língua estrangeira, "concorrendo com o italiano e o chinês, enquanto o francês e o alemão perderam posições".

A expansão do espanhol pode receber um forte impulso nas Filipinas, já que será sancionada uma lei similar a do Brasil, indicou a diretora.

A nova edição do anuário contém relatórios sobre as mudanças na língua espanhola falada e escrita e as grandes bibliotecas do mundo hispânico, entre outros temas. EFE amb/dm

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