Insegurança alimentícia continua no Zimbábue, diz ONU

Roma, 26 jun (EFE).- Uma elevada insegurança alimentícia persiste no Zimbábue apesar da melhora na produção agrícola e de uma política mais liberal sobre as importações aplicada este ano, segundo o relatório publicado hoje pela FAO e o Programa Mundial de Alimentos (PMA).

EFE |

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a abundância de chuvas fez com que a produção de 2009 do cultivo básico, o milho, fosse mais que o dobro - até 1,14 milhão de toneladas -, com um aumento de 1,3% sobre a colheita de 2008, que marcou um recorde negativo.

O relatório diz que a produção do trigo de inverno foi de apenas 12 mil toneladas, a mais baixa já registrada.

"Isso reflete o elevado custo dos adubos e das sementes de qualidade, a falta de liquidez dos camponeses e a pouca confiabilidade da provisão elétrica para a irrigação", explica.

Em março de 2009, o Governo do Zimbábue abandonou o dólar zimbabuano e anunciou a liberalização da maior parte dos setores econômicos.

A adoção do dólar americano e do rande da África do Sul como moedas levou a taxa anual de inflação ao nível zero, depois do nível recorde em 2008, que o Banco Mundial situou em 56.000.000%, assegura o comunicado.

A reforma do mercado de cereais inclui o livre movimento e compra e venda de grãos dentro do país, a eliminação das tarifas de importação e a criação de um Conselho para a Comercialização de Cereais Governamental, que atua como comprador de último recurso para manter um preço mínimo para o milho e proteger assim os produtores domésticos.

Segundo o relatório, isso permitiu encher as prateleiras dos comércios e reduzir os preços. No entanto, os produtos básicos estão ainda fora do alcance da maioria das famílias sem acesso a divisas estrangeiras.

Em uma estimativa provisória, o relatório assinala que cerca de 2,8 milhões de pessoas enfrentarão a escassez de alimentos entre abril de 2009 e março de 2010 e precisariam de 228 mil toneladas de ajuda alimentícia, incluindo 190 mil de cereais. EFE cps/rr

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