Insatisfação com Governo leva Grécia à 2ª semana de distúrbios

Adriana Flores Borquez. Atenas, 15 dez (EFE).- A Grécia entrou hoje em sua segunda semana de distúrbios protagonizados por estudantes e radicais, que não dão trégua ao Governo após a morte de um adolescente, há nove dias, pela Polícia.

EFE |

Várias organizações de estudantes criadas após a morte de Alexis Grigoropulos, de 15 anos, pedem aos jovens que continuem com as ocupações de colégios, com gritos como "Vá embora Governo de assassinos" ou "Cuidado, assassinos de uniforme!".

A Federação de Professores de Educação Ensino Médio Estatal (Olme) estima que 20% das três mil escolas do país se encontrem ocupadas pelos alunos.

Nas ruas de Atenas hoje foram registrados apenas incidentes menores, o mais importante deles diante do quartel-general da Polícia, onde protestaram três mil jovens.

Lá, dezenas de agentes antidistúrbios, equipados com bombas lacrimogêneas, detiveram pelo menos seis pessoas depois de serem agredidos com pedras, ovos, garrafas de água e farinha.

"Policiais, porcos assassinos", gritavam os jovens sentados no meio da avenida, enquanto erguiam um cartaz gigante exaltando o jovem Alexis.

Sara e Caterina, de 16 anos, declararam à Agência Efe que seguem "enfurecidas" com a morte de Grigoropulos.

"Não vemos nenhum futuro, mas se nos esforçarmos algo mudará", frisaram.

Vangelis, um jovem de 18 anos, denunciou que há muitos policiais são "provocadores", que espancaram jovens durante as manifestações dos últimos dias na rua. "Porém não nos importa, estamos muito zangados pela morte de Alexis", afirmou.

Vários incidentes de menor intensidade aconteceram hoje em um protesto de estudantes no bairro ateniense de Koridalos, enquanto nas cidades de Salônica, Ioanina e Patras foram feitas manifestações pacíficas.

Também cerca de 50 jovens se concentraram diante do tribunal de Atenas no qual cinco dos até agora 200 detidos nos últimos dias iam comparecer perante o juiz.

A Polícia protegeu o edifício mediante um amplo desdobramento de agentes e conseguiu que não se produzissem enfrentamentos com os manifestantes, que exigiam a liberdade de seus companheiros detidos.

Segundo os panfletos distribuídos pelos jovens, "a Polícia deve ser desarmada e os culpados do selvagem assassinato de Alexis devem ser castigados".

O vice-presidente da Olme, Grigoris Kalomiris, declarou hoje à Efe em Atenas que estão "ao lado dos estudantes" e são "solidários com seus pedidos de um ensino melhor".

Segundo ele, "o assassinato do jovem foi a gota que fez o copo transbordar, em um clima em que os estudantes se levantam contra o sistema de ensino por não verem uma solução ou um futuro".

A Olme convocou uma manifestação para a próxima quinta-feira no centro de Atenas, na qual está prevista a participação de estudantes e trabalhadores para pedir que as despesas para ensino aumentem de 3,1% a 5% no orçamento estatal de 2009.

Fora isso, Kalomiris disse que o atual sistema de avaliação para ascensão ao ensino superior deixou 50 mil jovens fora das instituições universitárias nos últimos três anos.

Por isso, os professores pedem que sejam abertas mais vagas nas universidades estatais e que não se permita que se fundem mais centros privados de ensino superior no país.

A Grécia vive a maior sublevação social das últimas três décadas, após a morte do adolescente Grigoropulos por um policial de 37 anos, que assegura ter atirado em defesa própria.

O agente acusado se encontra detido, junto com um de seus colegas, como suspeito de homicídio doloso. EFE afb/rr

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