Inquilino diz ter visto outro homem no porão de austríaco

Um inquilino que morou na casa do austríaco que manteve a filha por 24 anos presa em cativeiro disse nesta quinta-feira que viu outro homem entrar no porão. Alfred Dubanovsky disse à BBC que Josef Fritzl - o austríaco que prendeu a filha Elisabeth no porão e abusou dela sexualmente durante décadas - recebeu a visita de um homem que seria um encanador.

BBC Brasil |

Clique na imagem e veja o infográfico sobre o crime (AFP)

"Ele não recebia muitas visitas, às vezes parentes ou amigos", afirmou o inquilino, que morou na casa por 12 anos. "Mas uma vez ele me apresentou a um encanador, que teve permissão para ir ao porão."
A declaração de Dubanovsky coloca em dúvida a versão da polícia austríaca de que Fritzl não teve cúmplices.

Área proibida

Segundo Dubanovsky, o aposento em que ficava a entrada do cativeiro era uma espécie de área proibida.

"Nenhum dos inquilinos tinha permissão para entrar no porão, ele dizia que era uma área privada sua", conta. "Ele ia para lá quase todos os dias. Eu achava estranho, mas nunca levantei nenhuma suspeita."
O inquilino também afirmou que, às vezes, escutava barulhos estranhos.

"Uma vez eu perguntei a Fritzl o que era, e ele disse que vinha do sistema de aquecimento a gás que ficava embaixo da casa", diz Dubanovsky.

"Um outro inquilino me disse uma vez tê-lo visto levar comida para o porão", acrescenta. "Eu não vi isso, mas pensei que ele estava estocando comida lá."
Cerca de cem inquilinos passaram nos últimos 24 anos pela casa de Josef Fritzl na cidade de Amstetten.

Investigação

A polícia austríaca afirma não haver indícios da existência de cúmplices nos crimes cometidos pelo técnico em eletrônica.

Mas os policiais pretendem interrogar cada um dos inquilinos para reconstituir detalhes do cotidiano da casa em que Elisabeth Fritzl viveu durante todo esse período em um cativeiro escondido nos fundos de um porão.

A polícia do norte da Áustria também resolveu reabrir nesta quinta-feira o caso envolvendo a morte de Martina P., a jovem de 17 anos cujo corpo foi encontrado com sinais de violência sexual em 1986, à beira do lago de Mondsee, perto de onde Josef e a esposa Rosemarie Fritzl mantinham uma pensão na época.

Segundo o chefe de polícia da região, Walter Folger, trata-se de um procedimento de rotina.

"Nós estudamos o processo e o nome dele não aparece em nenhum momento, nem há qualquer pista que indique sua participação neste crime", afirmou.

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