Inquérito sobre morte de Jean Charles pressiona chefe da polícia, diz imprensa britânica

O inquérito sobre a morte de Jean Charles de Menezes que começa na segunda-feira vai aumentar a pressão sobre o chefe da Scotland Yard, Ian Blair - responsável, em última instância, pela ação policial que resultou na morte do brasileiro -, segundo reportagens da imprensa britânica publicadas neste sábado. No inquérito, a família de Jean Charles poderá, pela primeira vez, interrogar testemunhas, entre elas os policiais que mataram o brasileiro durante uma operação em 22 de Julho de 2005 na estação de metro de Stockwell, sul de Londres.

BBC Brasil |

O depoimento, no entanto, será dado por trás de uma tela, para manter seu anonimato. Também serão ouvidas outras testemunhas, entre elas outros policiais e passageiros do metrô que estavam presentes durante a ação policial.

Segundo o jornal The Guardian, este é o maior desafio enfrentado pela polícia de Londres desde o inquérito sobre a morte de Stephen Lawrence em um ataque racista no sul da cidade em 1993.

Na época, os suspeitos pelo crime foram inocentados, ninguém foi condenado e a polícia acusada de má investigação e racismo.

"O comissário chefe da polícia metropolitana, Sir Ian Blair, já sob pressão por questões ligadas a racismo e por ter favorecido um amigo em um contrato, pode ser forçado a deixar o cargo em breve se o resultado for considerado muito prejudicial para que ele cumpra seu mandato de cinco anos", afirma o jornal.

No inquérito que deve durar cerca de três meses, serão analisadas todas as evidências ligadas à morte de Jean Charles por policiais que acreditavam estar seguindo um extremista prestes a cometer um atentado suicida contra a rede de transportes de Londres.

Destino
Para o Independent, o inquérito também poderá "selar o destino" do chefe da polícia. O jornal destaca que a família teme que o anonimato garantido a algumas testemunhas, entre elas os policiais envolvidos na ação, prejudique a transparência do processo.

O inquérito terá um júri, diz o jornal, que deve chegar a um veredicto sobre a morte de Jean Charles, que pode variar entre "acidente" até "assassinato".

A reportagem ainda destaca que, apesar da condenação da polícia metropolitana em um inquérito sobre a segurança da ação que levou à morte de Jean Charles - em que se concluiu que houve "falhas fundamentais" por parte da instituição - nenhum alto oficial enfrentou processo criminal ou disciplinar pela morte do brasileiro.

Já o Times enviou um repórter a Gonzaga, cidade de Jean Charles, para investigar como a família aguarda o inquérito.

Segundo a reportagem, a memória de Jean Charles permanece viva na cidade, onde parentes e amigos da família esperam justiça ou, pelo menos, uma compensação para os pais do eletricista.

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