Início de apuração indica Piñera e Frei no 2º turno no Chile

O candidato conservador Sebastián Piñera e o ex-presidente Eduardo Frei devem disputar o segundo turno das eleições presidenciais no Chile, segundo o primeiro resultado parcial divulgado pelo Ministério do Interior neste domingo. Com pouco mais de 12% das urnas apuradas, Piñera conta com cerca de 45% dos votos, enquanto Frei tem em torno de 32%.

BBC Brasil |

Uma pesquisa de boca-de-urna da Universidade Católica do Chile, divulgada pelo Canal 13 de televisão logo após o fechamento das urnas, apontava Piñera com 44% e Frei com 30%.

As pesquisas de opinião antes da votação já indicavam que nenhum dos presidenciáveis seria capaz de superar a marca de 50% de votos válidos e evitar a realização de um segundo turno no dia 17 de janeiro.

"Todos nós sabemos que vai haver um segundo turno", disse a presidente chilena Michelle Bachelet ao depositar seu voto, em Santiago.

Segundo a enviada especial da BBC Mundo à capital chilena, Yolanda Valery, o dia de eleição foi marcado por um forte calor em várias regiões do país.

A polícia informou que deteve várias pessoas que pregavam o voto nulo ou que se negaram a atuar como mesários, mas a votação transcorreu sem grandes problemas.

EFE
Sebastián Piñera
Sebastián Piñera, candidato da direita

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Eduardo Frei
O governista Eduardo Frei

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Marco Enríquez
Candidato independente Marco Enríquez

Candidatos
O oposicionista conservador Sebastián Piñera é dono da companhia aérea Lan Chile e empresário do ramo de comunicações filiado ao partido Renovação Nacional.

Ele tem apostado em um discurso duro em prol da segurança, que parece estar sendo bem recebido pelo eleitorado.

Piñera, que foi derrotado em 2006 por Bachelet, também tem enfatizado seu perfil de homem de negócios para convencer os eleitores de que promoverá uma reativação da economia chilena, a uma taxa de 6% ao ano nos próximos quatro anos.

Se for eleito, será a primeira vez em 51 anos que os conservadores chegarão ao poder no Chile pela via eleitoral - a última vez foi através do golpe de Estado que colocou o general Augusto Pinochet no poder, em 1973.

Se houver segundo turno, Piñera terá de enfrentar três outras forças de esquerda, que tentarão se unir e superar as disputas internas que as têm caracterizado até agora: Eduardo Frei, da frente governista de centro-esquerda Concertación, o independente e dissidente da base governista Marco Enriquez-Ominami, de apenas 36 anos, e Jorge Arrate, um veterano da esquerda que foi ministro do ex-presidente Salvador Allende nos anos 1970 e conta com o apoio do Partido Socialista chileno.

Congresso
Enquanto a corrida presidencial ocupa os lugares mais visíveis deste processo eleitoral, menos atenção tem sido dada à votação para renovar todos os deputados e 18 senadores do Congresso chileno.

Historicamente, o sistema de eleição para o Congresso chileno - binominal - tem resultado em um Legislativo extremamente dividido, do ponto de vista dos seus críticos, ou equilibrado, do ponto de vista dos seus defensores.

Cada região elege dois representantes em cada casa, e cada partido tem direito a postular até dois candidatos a cada cargo. Os dois partidos com mais voto obtêm um cargo cada qual. Se um partido receber o dobro da votação do outro, leva os dois cargos.

"Na prática, vai ser uma maioria débil, porque estará atravessado por conflitos internos de cada coalizão", avaliou o cientista político da Universidade do Chile, Guillermo Holzman.

"Isso significa que será uma maioria muito diversa, complexa e instável."
Para o analista, "o que interessa, aqui, é como vão estar representados cada um dos partidos, quantos independentes vão ser eleitos e quantos candidatos do Partido Comunista vão chegar pela primeira vez ao Congresso".

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