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Iniciativa de Genebra apresenta receita para paz no Oriente Médio

JERUSALÉM - A Iniciativa de Genebra, um grupo de israelenses e palestinos que em 2003 apresentou uma fórmula para a paz, revelou nesta terça-feira um documento de 400 páginas com a intenção de que sirva para colocar fim a décadas de conflito no Oriente Médio.

EFE |


O texto, apresentado em Tel Aviv como uma "receita" para a paz, detalha as soluções apresentadas no esboço de 50 páginas que tornaram famosa a iniciativa, usada como referência em posteriores tentativas de negociação.

Para a Iniciativa de Genebra, a paz seria baseada na criação de um Estado palestino em Gaza, 98% da Cisjordânia e nos bairros árabes de Jerusalém.

Os grandes blocos de assentamentos judaicos em torno de Jerusalém permaneceriam sob soberania israelense, por isso os palestinos receberiam uma compensação equivalente em território israelense ao sudoeste da Cisjordânia e ao leste de Gaza.

A parte oriental da cidade santa seria a capital palestina, enquanto a ocidental, mais os assentamentos e o bairro judaico da Cidade Antiga, ficaria como capital de Israel, com os dois lados separados por uma barreira.

Dois terços dos colonos judeus poderiam permanecer na Cisjordânia, o que representaria o deslocamento - com incentivos econômicos ou forçado - de cerca de 100 mil pessoas.

Gaza e Cisjordânia, separadas geograficamente pelo Estado judeu, seriam ligadas por um corredor que estaria sob soberania israelense e administração palestina.

O processo seria supervisionado por um grupo de implementação e verificação, que contaria com uma força militar multinacional e estaria integrado por representantes dos "EUA, Federação Russa, União Europeia, Nações Unidas e outras partes, tanto regionais quanto internacionais, que as partes definissem".

Este grupo seria colocado em todas as passagens fronteiriças internacionais, enquanto um corpo especial vigiaria a antiga cidadela amuralhada, situada em Jerusalém Oriental e que abriga lugares sagrados para as três religiões monoteístas.

Falhas

No entanto, o plano não oferece uma solução clara para um dos temas mais polêmicos: o destino dos refugiados palestinos que fugiram ou foram expulsos de seus lares pelas milícias judaicas entre 1947 e 1949 e que, com seus descendentes, somam entre 4 e 7 milhões, segundo os diferentes cálculos.

O documento especifica os prazos para a retirada das tropas israelenses e o armamento que poderiam ter as forças de segurança do futuro Estado palestino, por não possuir Exército.

O plano será apresentado aos presidentes israelense, Shimon Peres, e da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, assim como à secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

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