Iniciativa brasileira de combate à aids é destaque em relatório da Unicef

Nações Unidas, 3 abr (EFE).- A iniciativa do Brasil de criar um mecanismo de assistência a outras nações em desenvolvimento para promover o acesso às primeiras linhas de tratamento contra o vírus HIV foi destaque no relatório Infância e aids do Fundo da ONU para a Infância (Unicef, em inglês), apresentado hoje em Nova York.

EFE |

Países como Bolívia, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Nicarágua, Paraguai, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste já se beneficiam do programa brasileiro, que conta com o apoio do Unicef e do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids (Unaids, em inglês).

O relatório "Infância e aids" revê os avanços conseguidos desde outubro de 2005, quando a Unicef realizou uma convocação global ao combate ao vírus HIV entre as crianças.

A entidade admitiu hoje que a possibilidade de ver uma geração livre da aids ainda é algo distante e ressaltou que, por outro lado, é cada vez maior o número de mulheres grávidas e crianças soropositivas que recebem tratamento médico.

"As crianças e os jovens não conhecem um mundo livre da aids", disse a diretora-executiva do Unicef, Ann M. Veneman.

Veneman lembrou que ainda são "milhares" as crianças que morrem a cada ano por causa da doença, e "milhões as que perderam seus pais ou responsáveis" por este motivo.

"As crianças devem estar no centro da agenda global da luta contra a aids", afirmou a diretora-executiva do Unicef.

Nas 52 páginas do documento, elaborado junto à Organização Mundial da Saúde (OMS), são analisados os avanços e os desafios que ainda existem na prevenção da transmissão do vírus de mães a filhos, assim como entre jovens e adolescentes, no tratamento pediátrico e na assistência aos soropositivos nos países de baixa renda.

Os dados do Unicef mostram que das 33,2 milhões de pessoas que sofriam de aids em 2007, 2,1 milhões são menores de 15 anos.

Além disso, somente no ano passado, houve 420 mil novos casos de crianças infectadas pelo HIV e 290 mil mortes, sendo a África Subsaariana a região do mundo na qual se concentram 90% dos casos infantis.

O número dos que sofrem com a aids duplicou entre 2000 e 2007 nessa região, chegando a 12,1 milhões de crianças e jovens.

A Unicef lembra que a maior parte das crianças soropositivas foi infectada na gravidez, no parto, ou no período de amamentação.

Segundo a agência da ONU, 50% dos bebês nessa situação "morrem antes dos dois anos".

As estatísticas também mostram que 40% dos novos casos registrados em 2007 ocorreram entre jovens de 15 a 24 anos, e que esse é um grupo de população no qual há 5,4 milhões de soropositivos, entre eles 3,1 milhões de mulheres.

Para combater o problema, o Unicef, em cooperação com a rede de televisão "MTV", produz na América Latina e no Caribe o programa "Sexpress Yourself", no qual durante uma hora jovens falam abertamente sobre sexo, sexualidade e aids.

De acordo com o fundo da ONU, 140 mil mulheres e 280 mil homens entre 15 e 24 anos estão infectados pelo HIV.

A Unicef constata em seu relatório que houve progressos na luta contra a doença nos países de baixa renda, onde a proporção de mulheres grávidas que recebem tratamento com anti-retrovirais passou de 10% em 2004 para 23% em 2006.

No caso do Sul e do Leste da África, as mulheres grávidas que recebem essa assistência passou de 11% a 31% no mesmo intervalo de tempo.

Além disso, 127 mil crianças receberam remédios anti-retrovirais em 2006, contra 75 mil em 2005.

Outro avanço foi uma queda na quantidade de mulheres infectadas grávidas de entre 15 e 24 anos.

O documento também destaca que um dos países africanos que mais avançou na luta contra a aids é Botsuana, onde só 7% dos recém-nascidos de mulheres com HIV são infectados, contra o índice 35-40% registrado há poucos anos.

Segundo dados do Unicef, os países que em 2006 proporcionavam remédios a 48% das grávidas nessa situação eram África do Sul, Argentina, Barbados, Belarus, Benin, Butão, Botsuana, Brasil, Burkina Fasso, Cuba, Fiji, Geórgia, Jamaica, Quênia, Moldávia, Namíbia, Ruanda, Rússia, Suazilândia, Tailândia e Ucrânia. EFE emm/bba/fb

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