Ingrid dividida entre a família e a política

Dividida entre a família e a política, Ingrid Betancourt, que se engajou na luta contra a libertação dos reféns das Farc, vislumbra um futuro promissor, aos 46 anos.

AFP |

Ex-candidata à presidência da Colômbia, anunciada pela mídia como heroína lúcida de nervos de aço, Ingrid surgiu na quinta-feira em Bogota com uma imagem sensível e equilibrada.

Ingrid Betancourt se transformou rapidamente, após sua libertação espetacular por um comando do Exército, em uma personalidade internacional e em uma figura nacional de forte imagem, disse à AFP Alejo Vargas, professor da Universidade Nacional.

Após mais de seis anos de cativeiro nas selvas colombianas, Ingrid fez questão de destacar que no momento pensa apenas na família e na convivência com os filhos Mélanie e Lorenzo.

"Acabo de sair da selva. Não tive tempo de refletir sobre isto (o futuro). Só tomei a decisão de trabalhar pelos (reféns) que ainda estão na selva", disse a ex-senadora ao chegar a Bogotá, na quarta-feira.

"Estou em dívida com minha família, com minha filha", destacou Ingrid Betancourt, em referência aos filhos, de 22 e 19 anos.

A ex-senadora, considerada há muito tempo um ser político, disse que decidirá seu futuro "de acordo" com seus filhos.

De qualquer modo, a ex-candidata do partido verde à presidência da Colômbia deu a entender que apóia uma eventual reeleição do presidente Alvaro Uribe para um terceiro mandato.

"Uma terceira eleição?! Porque não? Isto me parece interessante", disse Ingrid durante entrevista coletiva. Este apoio a Uribe reforça os rumores de que a ex-senadora poderia se tornar a futura chanceler da Colômbia.

No plano internacional, Ingrid Betancourt não perdeu tempo e fez um apelo ao presidente equatoriano, Rafael Correa, para que supere suas divergências com o presidente Uribe e contribua para a libertação dos reféns ainda em poder das Farc.

"Posso apenas dizer ao presidente (Correa) que tenha consciência de que ainda há reféns na selva", declarou Ingrid à AFP.

Na questão dos reféns, a ex-senadora também pediu a ajuda do presidente venezuelano, Hugo Chavez, que respondeu positivamente, estimando que as Farc devem depor as armas.

A maior parte dos analistas colombianos acredita que Ingrid terá um futuro político, ocupando um ministério ou até a presidência do país.

"O melhor cenário seria o ministério das Relações Exteriores", disse o cientista político Fernando Cano.

"Não há qualquer dúvida de que o panorama político mudou com a chegada deste novo ator de grande peso político", estimou o analista Alejo Vargas.

Ingrid Betancourt não é apenas uma figura política nacional, agora trata-se de "uma personalidade de grande presença internacional e uma personalidade nacional muito forte".

gib/LR/sd

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