Ingrid passa mensagem a reféns das Farc por rádio http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/07/04/brasil_nao_vai_se_envolver_nas_negociacoes_para_libertacao_de_refens_diz_lula_1419026.htmlBrasil não se envolverá em libertações de reféns, diz Lula " / Ingrid passa mensagem a reféns das Farc por rádio http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/07/04/brasil_nao_vai_se_envolver_nas_negociacoes_para_libertacao_de_refens_diz_lula_1419026.htmlBrasil não se envolverá em libertações de reféns, diz Lula " /

Ingrid Betancourt tentou fugir nadando para o Brasil, diz ex-refém das Farc

Um ex-refém, Luis Eladio Perez, ex-congressista colombiano que passou quatro de seus sete anos como refém ao lado de Ingrid Betancourt, deu uma entrevista à CNN e relatou como os dois fugiram dos rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), pulando em um rio para tentar chegar nadando ao Brasil. http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/07/07/betancourt_fala_pela_radio_france_internacional_aos_refens_colombianos_1423181.htmlIngrid passa mensagem a reféns das Farc por rádio http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/07/04/brasil_nao_vai_se_envolver_nas_negociacoes_para_libertacao_de_refens_diz_lula_1419026.htmlBrasil não se envolverá em libertações de reféns, diz Lula

Redação |

AFP
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Livre, Ingrid anda pelas ruas de Paris
Luis Eladio Perez, libertado pela guerrilha no dia 27 de fevereiro com mais quatro ex-congressistas, disse à CNN que logo após a meia-noite do dia 20 de julho de 2005, no meio de uma tempestade, ele e Ingrid fugiram para a selva. Eles decidiram escapar depois que os rebeldes começaram a rodear o acampamento com arame farpado.

Eles fugiram, apesar da pouca comida, correram para o rio, mergulharam e nadaram por pelo menos duas horas. Então Perez contou que ele e Ingrid se engatinharam para a margem e correram até o amanhecer.

Os dois se escondiam e descansavam durante o dia e nadavam e corriam à noite ¿ por 5 dias.

Achávamos que o rio nos levaria para o Brasil, ele disse.

A comida acabou e Ingrid perdeu os três anzóis que eles levaram com eles. Perez, diabético, começou a ter problemas com baixos níveis de açúcar e então eles se entregaram no sexto dia. Quando nos entregamos,começou uma repressão absoluta pela guerrilha.

Depois disso os rebeldes começaram a manter os reféns acorrentados pelo pescoço 24 horas por dia ¿ antes era somente das 18h até às 6h ¿ primeiro presos às árvores, depois aos outros reféns.

Esse é o maior abuso que as Farc podem cometer, tratar pessoas como animais, disse Perez. É como os horrores da segunda guerra mundial ou do Vietnã, e é assim como vivemos na Colômbia hoje em dia.

Brigas entre reféns

Os reféns mantidos juntos com Ingrid Ingrid na selva colombiana sofreram anos de privações e abusos dos rebeldes esquerdistas que os seqüestraram, de acordo com a entrevista de Perez à CNN.

Mesmo assim, alguns reféns se voltavam uns contra os outros em cativeiro, enquanto lutaram contra doenças e desespero, discutindo entre eles e brigando.

Ingrid até sofreu ameaças de abusos sexuais de outros reféns, disse Perez.

O marido de Ingrid, Juan Carlos Lecompte, disse em uma entrevista antes da libertação de sua mulher que ela havia tido problemas com os outros reféns. Alguns policiais e soldados que também estavam presos tentaram abusar de Ingrid, ele disse, porque talvez após dez anos na selva, eles perderam a cabeça. Há muitas coisas terríveis acontecendo lá.

Sem dúvida, muitas pessoas vivendo juntas é muito difícil, acrescentou Perez. Havia incidentes e conflitos diários. Opiniões diferentes entre os reféns criavam tensões que resultavam em brigas.

Seu relato dá uma idéia mais completa do leque de problemas que Ingrid e outros 14 reféns viviam até que uma missão colombiana os resgatou na quarta-feira.

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Luis Eladio Perez na selva colombiana no dia de sua libertação
Perez lembrou de tensões entre Ingrid e outros reféns.

Houve um ou dois momentos que passaram dos limites em grande parte por causa da atitude e dignidade de Ingrid, ele disse, mas aqueles que eram seus amigos a apoiavam.

Mas ele não deu maiores detalhes. Ingrid, uma franco-colombiana que estava concorrendo à presidência quando foi levada pelas Farc em 2002, também não falou de brigas com seus companheiros de cativeiro também.

Tratamento dos rebeldes

Tensão entre os reféns, entretanto, não era nada comparado às crueldades impostas pelos rebeldes das Farc, uma força insurgente que luta para acabar com o governo colombiano há mais de 40 anos.

Segundo a CNN, Ingrid, 46 anos, falou algumas vezes sobre como ela foi tratada pelos seus seqüestradores, dizendo que ela sofreu terrivelmente em suas mãos. Ela chamou seu carcereiro, comandante Enrique, de um homem de crueldade particular e falou que ficava acorrentada pelo pescoço aos outros reféns.

A ex-refém também disse que enfrentou uma série de problemas de saúde. Ela perdeu peso, sofreu de exaustão e teve problemas para comer e beber.

Não era um tratamento que se dá a um ser humano, disse ela. Eu não daria o tratamento que eu tive para um animal, talvez nem para uma planta.

Estou desistindo

Ingrid descreveu o efeito de tal tratamento em uma carta que escreveu para seu marido em novembro ¿ os rebeldes permitiram para provar que ela ainda estava viva.

Esses seis anos mostraram que eu não sou tão resistente, corajosa, inteligente ou forte como pensava. Estou desistindo. Estou cansada de sofrer e mentir para mim mesma, acreditando que isso logo irá acabar, ela escreveu para seu marido. Lembrar significa viver para morrer de novo.

Oito meses depois, um helicóptero branco entrou na densa selva em uma estratégia feita por agentes colombianos disfarçados de rebeldes.

Ingrid, três norte-americanos e mais 11 reféns entraram no que pensavam ser um vôo dos rebeldes e descobriram após minutos que estavam sendo resgatados.

Desde então, Ingrid e os outros ex-reféns tiveram reuniões e encontros emocionados com familiares que não viam havia anos.

Essa felicidade é amenizada somente, eles disseram, por saber que cerca de 700 reféns permanecem com os rebeldes das Farc, na selva colombiana, esperando.

 Assista ao vídeo da operação de resgate de Ingrid

(*Com informações da CNN)

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