Ingrid Betancourt reencontra seus filhos depois de 6 anos de cativeiro na selva

Ingrid Betancourt abraçou emocionada seus filhos Melanie e Lorenzo, que chegaram a Bogotá vindos de Paris e a quem não via há mais de seis anos, e imediatamente iniciou uma campanha pela liberdade das outras pessoas mantidas cativas em poder da guerrilha das Farc.

AFP |

A ex-candidata à presidência colombiana não conseguiu conter as lágrimas no reencontro. Também abraçou seu ex-marido, Fabrice Deloye, e o chanceler francês, Bernard Kouchner, e depois embarcou no avião que chegou de Paris, onde permaneceram por dez minutos numa reunião mais íntima, antes de descer para se reunir com a imprensa.

"Estou muito orgulhosa deles, que lutaram sozinhos e travaram uma batalha belíssima por minha liberdade", afirmou Betancourt, recordando que a última vez que os viu eles eram apenas crianças.

"Agradeço a Deus por este momento; são meus filhinhos, são meu orgulho, minha razão de viver, minha luz, minha lua, minhas estrelas, por isso continuei com vontade de sair da selva, para poder voltar a vê-los", indicou Betancourt.

Melanie e Lorenzo, que começaram a acenar para a mãe da janela do avião, disseram que estão vivendo o melhor momento de sua vida.

"Sempre tememos um resgate militar, pelos riscos, mas agora, que vivemos esta felicidade, queremos desfrutar dela e vamos continuar lutando pela liberdade dos outros reféns", assinalou Melanie.

"Continuamos pensando nas famílias das pessoas que continuam seqüestradas. Não esquecemos delas e vamos continuar lutando por elas", acrescentou Melanie.

Lorenzo, por sua parte, declarou estar sentindo uma "felicidade muito grande". Mas concordou com sua irmã: "Ganhamos um combate pela liberdade, mas ainda restam muitos reféns na selva e, por isso, não vamos parar, porque a liberdade é muito importante", concluiu.

Betancourt também insistiu para que os presidentes Hugo Chávez (Venezuela) e Rafael Correa (Equador) restabeleçam "a confiança no presidente (colombiano Alvaro) Uribe" e que junto a outros governantes da América Latina "ajudem na libertação dos seqüestrados, e não fortaleçam a guerra na Colômbia".

No Airbus A-319, que levará nesta sexta-feira Betancourt de volta a Paris, viajava uma delegação de 30 pessoas, entre eles a irmã da ex-refém, Astrid Betancourt, seu filho e vários diplomatas e médicos.

O chanceler Kouchner agradeceu a Uribe e ao povo colombiano por sua "luta pela libertação" dos reféns em poder das Farc, e disse que Paris continuará apoiando os esforços pelos 24 reféns que permanecem em poder dos rebeldes.

"É um milagre, um momento mágico, vê-la rodeada por sua família, isso não nos impide de pensar que outros ainda estão seqüestrados", ressaltou.

A ex-refém passou a primeira noite na casa de sua mão em Bogotá relatando detalhes de seu seqüestro. "Nós começamos uma longa conversa em que nos narrou os detalhes de seu triste cativeiro. Ela quis tomar um café da manhã com laranjas, tinha esse desejo", ressaltou seu ex-marido Juan Carlos Lecompte à AFP.

Betancourt, de 46 anos, foi resgatada na quarta-feira junto com os norte-americanos Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell - funcionários terceirizados do Departamento de Defesa de seu país - e 11 militares e policiais colombianos nas selvas do departamento de Guaviare (sudeste).

As Farc propunham trocá-los por cerca 500 rebeldes presos, junto com outros três políticos e vários militares que seguem em poder do grupo guerrilheiro.

Os norte-americanos, seqüestrados no dia 13 de fevereiro de 2003, chegaram na noite de quarta-feira a San Antonio, Texas (sul). Alguns dos militares colombianos tinham mais de uma década de cativeiro.

Segundo o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, a operação foi realizada por militares que infiltraram o secretariado (cúpula) das Farc, convencendo-o da necessidade de transferir os reféns de helicóptero para a região onde atua o principal líder do grupo, Alfonso Cano.

A aeronave era do Exército e foi tripulada por homens da inteligência, acrescentou o ministro, que anunciou a captura de dois guerrilheiros, incluindo um chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), "César", o principal carcereiro do grupo.

Embora o embaixador de Washington em Bogotá, William Brownfield, tenha afirmado que seu país cooperou em "aspectos técnicos", Santos assegurou que a operação foi "100% colombiana". "Foi uma operação concebida pelos colombianos e executada pelos colombianos com nosso completo apoio", declarou a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.

Já Uribe pediu que a maior guerrilha do país estabeleça a paz e liberte os demais reféns. "A única coisa que queremos pedir em troca é o convite para que as Farc façam a paz. Sempre mantivemos a disposição", disse.

O presidente advertiu que o governo continuará trabalhando na libertação de outros seqüestrados, enquanto que o chefe do Exército, general Mario Montoya, disse que a operação representa "um xeque-mate nas Farc".

Estima-se que esse grupo mantém em seu poder cerca de 700 pessoas, a maioria com fins econômicos.

bur-hov/dm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG