Ingrid Betancourt pede que Farc busquem obter legitimidade

Dois meses depois de ter sido libertada das mãos das Farc ao fim de seis anos de cativeiro, a ex-refém franco-colombiana Ingrid Betancourt pediu nesta terça-feira ao grupo guerrilheiro que deixe o terrorismo e busque a sua legitimidade política.

AFP |

"A única coisa que peço a Deus é que os comandantes das Farc entendam que o mundo é outro, que o mundo está esperando que atuem de outra maneira, que não podem continuar atuando de maneira terrorista", disse Betancourt em declarações feitas em Roma para a rádio Caracol de Bogotá.

Segundo a ex-candidata presidencial colombiana, as Farc "não querem ser chamadas de terroristas". Mas, "como não chamar de terroristas pessoas que atuam de maneira terrorista?", perguntou.

Betancourt pediu que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) mostrem ao mundo outra face "que não seja aquela do narcotráfico, do seqüestro, econômico ou por motivos políticos, porque em qualquer um dos dois casos, é terrorismo", insistiu.

"Eles têm hoje a oportunidade de deixar esse esquema de atuação, de buscar uma legitimidade política, mas têm que fazer isso logo. Devem fazer isso entendendo que o mundo está esperando muitos gestos deles", acrescentou.

Por isso pediu aos colombianos que realizem ações para fortalecer as facções das Farc "que buscam a paz e têm consciência de que a ação negociada é a saída".

Betancourt ressaltou: "frente à barbárie, à violência (das Farc), temos que elevar o discurso. Não podemos responder da mesma forma. Temos que insistir muito na não-vingança. Não podemos continuar agindo por vingança".

Em relação ao seu futuro imediato, assegurou que sua vontade é "não estar em um espaço político de disputa", e destacou: "Minha prioridade é a libertação de meus companheiros".

Betancourt assegurou que está bem fisicamente, embora tenha dito: "ainda tenho alguns probleminhas para voltar a me adaptar, porque não consigo dormir muito. Mas creio que é a sede de viver o que me faz querer despertar o tempo todo. Fora isso, estou muito feliz", concluiu.

cop/dm

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